Saturday, December 01, 2007

Contrariando Theodor Adorno


A poesia pode iluminar a escuridão de Auschwitz


Auschwitz

Poema de Brissos Lino

Os gritos, o medo
a força da vida
nos barracões de Auschwitz
metralhadoras miram
corpos nús

homens e mulheres
velhos
crianças
quatro milhões de inocentes
no espanto da igualdade

russos, judeus e polacos
franceses e outros
metralha e “Zyclon B”

a besta nazi rumina
vinte mil mortes por dia
nas câmaras de Auschwitz
toneladas de cabelo
milhares de óculos
roupas
dentes postiços
brinquedos e chupetas

o stock ignominioso
da besta

satanás desmascarado
no carnaval carioca
da morte
…………………………………..
o céu é cinzento e húmido
hoje
em Auschwitz.
In “Salmo Presente”, IEC, Setúbal, 1996