Saturday, August 28, 2010

Uma estatística para o crescimento da Igreja


«Tudo isso é para o bem de vocês, para que a graça, que está alcançando um número cada vez maior de pessoas, faça que transbordem as acções de graças para a glória de Deus.» 2 Coríntios, 4,15


Este texto da Bíblia de Estudo Nova Versão Internacional, confere ao leitor uma visão bidimensional, no tempo e no espaço, da Igreja a crescer, porque a Graça de Deus estava a alcançar cada vez maior quantidade de pessoas.
Já em 1976, a precursora e similar Good News Bible exarava: “and as God's Grace reaches more and more people” ( e como a Graça de Deus atinge cada vez mais pessoas).

Com efeito, o primeiro instrumento, ainda distante do ramo científico da estatística, com o qual se mediu in arché o crescimento da Igreja Primitiva foi, sem dúvida, a Graça.
A Graça de Deus não foi apenas doutrina, matéria teológica, nem estudo bíblico de reunião no dia do Senhor, teve resultados numa linha de acção que se traduzia no aumento constante do número de pessoas.

A Graça de Deus, na acepção da epistola de Paulo a Tito, traz «salvação a todos os homens», isto é, às pessoas. em consequência faz crescer, em número, a Igreja. E esta Graça, porque é de Deus e não de nenhum sistema denominacional, não se mede apenas pela quantidade, mas pela qualidade dos crentes.

O erro das denominações cristãs modernas e de líderes, quiçá mal preparados, consiste em construir sobre a arquitectura celestial da Graça de Deus os dogmas, os padrões, os preceitos denominacionais, e muito recentemente o trading com Deus. Talvez o protestantismo na sua vertente particular de evangelicalismo não tenha nunca colocado de parte uma certa tendência “judaizante”, sem que este termo induza a um anti-semitismo, que o articulista jamais perfilhou.

A Estatística para o crescimento através das portas
O instrumento de medição estava no coração dos apóstolos, na percepção de que o Evangelho estava a abrir as portas grandes das oportunidades, as portas estavam entre os povos com as suas diversas estruturas sociais, culturais e geográficas, da Palestina à Grécia e Asia Menor e os homens, mulheres e crianças que compunham a Igreja.

Chamavam-se portas do evangelismo pessoal, do evangelismo de massas; portas da necessidade espiritual de um mundo vazio, embora pensante e hesitante por isso mesmo, entre deuses, mitos e filosofias ou sistemas filosóficos; de um ermo de pensamento apesar do gnosticismo; chamavam-se portas da operação de milagres, do Poder de Deus que é, num conceito inteiramente paulino, o Poder de Deus para a Salvação de todo aquele que crêr.

A porta, numa palavra, para o crescimento da Igreja, era uma só: para o judeu e para o grego. Jesus Cristo. Não obstante fosse sendo designada por vários substantivos concernentes à sua utilidade momentânea, no contexto da Igreja Primitiva no Novo Testamento.

O apóstolo Paulo e Lucas utilizam algumas vezes este tropo linguístico, uma metonímia, “portas” para expressar que o Evangelho estava perante um mundo, uma civilização, e até diante de culturas diversas que se abriam para deixar penetrar a Nova Doutrina proveniente de uma cultura tão fechada como a judaica e espalhar a Igreja Cristã.

Uma porta em abstracto que expressava algo concreto como a porta chamada Fé ( Act.14,27 ); a porta da Palavra ( Col.4,3); o próprio Senhor Jesus Cristo ao ditar a João, em Patmos, as 7 Cartas às Igrejas, relaciona uma porta que se chamava Oportunidade, uma “porta aberta” ( Apc.3,8). Uma “porta aberta” que deixava(continua a deixar) entrar e aumentar o número, um número cada vez maior.

Um verbo grego expressivo
Muito interessante é podermos verificar que o próprio verbo utilizado no grego do NT, o verbo perisseuõ, significa não apenas aumentar, mas também intensificar: dar número, mas de igual modo conferir substância, dar força; quantidade, sim, sobretudo qualidade.
A razão de ser do pleno desenvolvimento do Evangelho, através da abertura ampla que os umbrais dessas portas proporcionavam, fez-se com conversões. E estas implicam valores quantitativos, mas, por via do Novo Nascimento, valores qualitativos.
O crescimento era a inevitável, como se diz, solução de continuidade. Era vida, e a vitalidade não é estática. O crescimento da Igreja jamais esteve em estado de repouso. E ainda nos nossos dias, hoje, no Século XXI.

28/8/2010

Texto a sair oportunamente no Portal Evangélico da AEP e na revista Novas de Alegria (secção Análise/Perspectiva, do articulista)

1 comment:

Vitor Ribeiro said...

Não sendo evangélico, não posso deixar de sublinhar o bom e reflectido texto.
Parabéns.

http://lenhadoarado.blogspot.com