Wednesday, March 04, 2009

Pré-Publicação: Salmo 121 Uma Superabundância

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Constatação e dúvida, seriam os dois momentos iniciais deste salmo, se se tratasse apenas de um género composicional, uma criação literária. Mas a superabundância dos elementos que possui, histórico-bíblicos e da poesia hebraica, inspirada, do Saltério, abre-nos algumas janelas sobre uma paisagem de esplendor.

Elevo os meus olhos para os montes:
De onde me virá o socorro?


Porém, enquanto leitores de fé na Bíblia e submissos à mesma, todo o conteúdo do Salmo 121 exclui logo a dúvida, pelas beleza e doçura da presença do Senhor no caminho dos remotos peregrinos. Presença extensível aos cristãos peregrinos da vida de hoje a caminho a Pátria Celestial.
E a razão está no enunciado desse texto poético bíblico, que segundo a ciência da análise e interpretação da obra literária, se chama a anunciação do Eu, no caso bíblico, a anunciação do Eu salvador.

O meu socorro vem do Senhor
Que fez o céu e a terra.

Todos admitimos que é uma «peça lírica»(1) pertencente a um grupo especial dos Salmos, os Cânticos dos Degraus ou de Romagem.
Sabemos, sobretudo, que estes são na estrutura temática canções de celebração ao Senhor e de confiança no Deus de Israel, que acompanhavam os peregrinos na sua romagem à Casa do Senhor, em Jerusalém. Com efeito, são na sua estrutura esquemática uma narrativa cujo discurso é teológico.

O diálogo no Salmo
Ao analisar o seu discurso, temos ao dispor um instrumento chamado dialogia. Estuda o diálogo que existe num texto capaz de dar vida aos argumentos do mesmo. Os criadores desta figura, o dialogismo, Mikail Bakthine e Júlia Kristeva, chamaram a esse recurso a polifonia do texto. A interação de todas as palavras dentro do texto. As diversas vozes que estão no texto do salmo, dão-lhe sentido.

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