Conversão de Paulo, no caminho de Damasco.Papéis com apontamentos de um percurso de cinquenta anos de pensamento evangélico, desde 1964. Este Blog não respeita o Acordo Ortográfico
Sunday, July 27, 2008
Friday, July 25, 2008
Nota de pé-de-página (1)
Wednesday, July 23, 2008
Evangélicos em Portugal, 1984
Monday, July 21, 2008
Suicídio, Linha de Fronteira
Então, Saul tomou a espada e se lançou sobre ela.I Samuel,31,4
Saul não foi um herói paradigmático, embora trágico, por isso a sua morte é sem louvor bíblico. Embora David tenha feito uma elegia para o Livro dos Justos, mas essa morte entra no acto deplorável e não recomendável do suicídio. E um suicídio levou a outro.
Thursday, July 17, 2008
Wednesday, July 16, 2008
Sunday, July 13, 2008
Para memória passada
Título de um jornalzinho dos Protestantes, ao tempo em que vivia no Alentejo profundo, junto a Espanha. Lia-o - ou antes - folheava-o no consultório de um médico para mim essencial: o que me trouxe à vida, do ventre de minha mãe, que Deus haja! As duas enfermeiras que recordo com toda a saudade, liam-no e porque uma delas era da 'seita', trazia-o para a sala de espera. E mal nenhum fazia, pois a mensagem era radiosa! Apenas a sociedade em geral não apadrinhava o grupo 'separatista', de resto limitadíssimo e apontadíssimo a dedo... Ai dos que eram protestantes: tinham o pessoal ortodoxo à perna; e por isso formavam uma pequena comunidade muito unida e fechada!Não sei porque me deu para escrever sobre isto, logo hoje. Talvez porque, em dia de trocar de carro, a alegria seja a nota mais dominante na vida de um simples agnóstico... (...) Que me compreendam e perdoem os editores da revista da minha amiga protestante!
(José Paracana, 64, autor do blog Artenosatos)
Pontes de Paris
Tuesday, July 08, 2008
Wednesday, July 02, 2008
In "A Ovelha Perdida"
Cardeal-Patriarca de Lisboa, aos microfones da “Rádio Renascença”.
Por sua vez, os “outros”, que tornam a sociedade heterogénea, em termos religiosos, apesar desta confissão (e pedagogia?) continuam a ser discriminados na dita sociedade, perante os poderes públicos, a comunicação social, e até a igreja dominante. Essa é a verdade. Mas é sempre bom ouvir intervenções pedagógicas como esta.
Monday, June 30, 2008
Thursday, June 26, 2008
As Sagradas Escrituras não são mudas

Freud disse certa ocasião a Papini que ensinara «aos outros a virtude da confissão e afinal nunca pude abrir inteiramente a minha alma». Os teólogos liberais confessaram-se ruidosamente nos seus escritos, porque acharam que a Bíblia Sagrada estava muda diante das contextualizações que eram precisas- do seu ponto de vista- ser feitas na modernidade do Século XX.
Muitas obras fizeram ruído nesse tempo. Mas mais do que obras de exegese, eram instrumentos para colocar em causa os textos bíblicos, para os desnudarem das suas roupas riquíssimas do que é celeste, para os despojarem da sua espiritualidade.
A chamada Alta Crítica, a despeito de pretender ser honesta, teologicamente, para com o homem, acabou por levantar a sua voz contra o Divino, porquanto procurou apenas a Literatura nas Sagradas Escrituras, interessada em detectar fontes, tipos literários, questionando autores e datas.
É verdade que nem todos os Evangelhos apresentam a vida de Cristo duma forma teológica, procurando dar uma narratividade literária, somente o de João a apresenta de modo teológico, sobretudo. Diz-se nos meios teológicos académicos que o fez para que os leitores sejam salvos. Forma e conteúdo, todavia, estão intrinseca e espiritualmente ligados, por exemplo, nos textos sagrados evangelísticos. Estruturalmente jamais aceitaríamos ler os Evangelhos se nos fossem apresentados hoje sob a forma de romance. Diga-se o mesmo das Epístolas, onde conteúdo e forma são um corpo todo inspirado e inspirador pelo fôlego do Espírito Santo.
Perante as Sagradas Escrituras, afinal perante a sua totalidade, quem deve ficar em reverente silêncio é o Homem, e se deve falar é para interrogar como o carcereiro de Filipos, porque a Palavra de Deus é que nos questiona, nos desnuda, nos aponta o Caminho.
Friday, June 20, 2008
Que Pássaros Cantam?
"Satan watching the caresses of Adam and Eve", William Blake, in Paraíso Perdido, 1808Que pássaros cantam
no paraíso que perdi?
Que estrelas, nunca
definitivas, riscaram
num buraco do céu
a sua passagem?
Em que ramo
esqueci o fruto da vida?
Habito as alternâncias do tédio
e do ânimo, às vezes
uma casa de areia
onde mesmo assim existe
um trilho de flores silvestres.
Em que mina de ouro perdi
o olhar, que já foi um brilho
na noite?
Como é difícil ser bêbado
de silêncios.
20-6-2008
Friday, June 13, 2008
No silêncio húmido da noite
À noite o mar é o pastor das nuvens brancas do horizonte.Fá-las circular pelas pastagens do céu.”(Harry Martinson, “Comboio Camuflado”)
No silêncio húmido da noite
o espelho das águas reflecte
a imagem toda
o algodão branco do céu
as ovelhas de cima
dispensam o som de flauta ou harpa
pastoril
nada como olhar para baixo
antes de adormecer
e ver a imensidão bela do pastor
à luz da Lua
sempre lá.
Palmela, Junho de 2008
(© Brissos Lino)
Saturday, June 07, 2008
O Tempo que passou
Poema publicado na revista A Seara, da Casa Publicadora das Assembleias de Deus do Brasil, em Dezembro de 1971. Com «Poema de Natal» chamou-se a atenção para a Nova Poesia Evangélica e para o jovem poeta. A mesma revista, em Maio de 1972, trazia um artigo crítico, de análise, e de boas-vindas a esse trabalho para os meios literários evangélicos em língua portuguesa, assinado por Joanyr de Oliveira.Saturday, May 31, 2008
Uma Parábola
(Quadro de Jean -François Millet)
Lembra-te dessa mulher
que arrancou com coragem
à escuridão do pó
uma moeda simples, única
mesmo diante das outras
-que eram nove.
Quando varria
não eram os seus passos
que ouvia, porque voava
sobre o chão da cozinha
seus olhos submergiam
no território onde nada
tem alma, e o chão
nunca lhe fugiu debaixo
dos seus pés.
31-5-2008
Tuesday, May 27, 2008
A luz de Paris
Monday, May 26, 2008
Vagabundos
atrás do outro, os olhos
humilhados onde passam
conhecem só
o calor húmido do chão
e as formas de uma nuvem
que o ímpeto das águas
rompe de repente
Hoje como ontem
o sol sobre os ombros
um dia após o outro
ligados ao fundo
por estrelas
nos celestes caminhos
A noite vem deitar os corpos
nos sonhos aguardados
no coração dos andarilhos
com paciência, a treva
que vem voando cega.
Tuesday, May 20, 2008
Monday, May 19, 2008
Um novo Salmo 121
Não há montanhas intransponíveis
os socalcos da vida abrem
oportunidades diversas
à transposição dos espaços e dos medos
o verde é que nos guia
em direcção a uma nuvem baixa
chamada Esperança
no aconchego do azul.
Palmela, Maio de 2008
(© Brissos Lino)
Saturday, May 17, 2008
Monday, May 12, 2008
Monday, May 05, 2008
Arte Musical
Pássaros acendem raios
multicolores, sob os dedos de David
Pendem flores da mesa
na presença dos inimigos
e nos lábios os cálices
transbordam
Pastor de cordas no vento
quando os seus dedos tocam
até que à harpa regressem
os silêncios.
28-4-2008
Aparição
Joseph Ratzinger determinou que o seu periódico/diário se abrisse à pluralidade: vozes não católicas, redactores muçulmanos, abertura a ortodoxos, protestantes e judeus. A globalização dos Média a isso obrigava, a nova linha editorial impunha. O novo director, historiador e universitário, Giovanni Maria Vian, obedeceu ao Papa, diz-se no entanto que teria já em mente tal renovação.Friday, May 02, 2008
Portal Evangélico
Aqui no Portal da Aliança Evangélica
O modo de tratar os judeus na literatura da Idade Média não poderia ter em conta a teologia do apóstolo Paulo, designadamente a Carta aos Romanos (1). As epístolas, afinal toda a Bíblia Sagrada, não desfrutavam de grande hospitalidade nos cenáculos medievais.
As realidades sociológicas e os conceitos religiosos, é verdade que mudaram desde o século XIII até aos nossos dias, no que concerne ao tratamento do problema judaico.
Nos Lusíadas (III,72), Luís de Camões vê, apesar de todo um anti-semitismo prevalecente, a «Judeia, que um Deus adora e ama», salvando a relevância desse monoteísmo, não deixando de citar porém do ponto de vista do carácter, um «amor nefando», incestuoso, de Amnom, filho de David, no Canto IX, estância 34. Iludíamo-nos se pensássemos que uma palavra como Renascimento, apesar de todo o humanismo, depois da Idade Média viria a salvar os judeus.
Mas estigmas vários afloram na literatura medieval e vêm proporcionar hoje uma análise das atitudes para com os judeus. (...)
Wednesday, April 30, 2008
A Resistência

By JAMES BARRON
Rabbi Menachem Youlus removes dirt from a Torah that had been buried in a Polish cemetery to keep it from the Nazis. It will be rededicated at an interfaith ceremony.
Tuesday, April 29, 2008
Despedida
e os beijos
palavras morrendo nos lábios
lábios comprimidos em lábios
uma vez mais, uma última vez
antes de entrarem no azul.
Thursday, April 24, 2008
Wednesday, April 23, 2008
Monday, April 21, 2008
Thursday, April 17, 2008
E-Book: 40 poemas no Poem Hunter
File Size: 85k File Format: Acrobat Reader
Monday, April 14, 2008
Uma Igreja com dúvidas, espera o Papa nos E.U.
When the pope arrives in the United States, he will find that many Catholics are looking for his acknowledgment that their church is going through a time of pain. Quando o papa chegar aos Estados Unidos, irá encontrar muitos católicos com dúvidas, uma Igreja que espera do papa um reconhecimento: que a ICAR americana atravessa momentos de dor e de incerteza. E por que não com suspeitas de Identidade?
Saturday, April 12, 2008
No Blog Poesia Evangélica:
Um breve ensaio do poeta Brissos Lino, publicado no Blog Poesia Evangélica
Wednesday, April 09, 2008
Revista Critério, Artes,Crítica,Filosofia
>O poeta projectado no Hudson River...Essa ausência de interrogação direta do próprio tempo no texto poético é como que sinônimo de ausência de rebeldia, trocada pelo gosto por um beletrismo que promete a ilusão de ascendência fácil ao panteão da academia>>leia artigo
Saturday, April 05, 2008
Livros
Saturday, March 29, 2008
Uma sombra do que foi
Foi na véspera da preparação do Sábado e também da grande festa da Páscoa que se encontrou perante o desfecho do caso. Desde a madrugada daquela sexta-feira que a conduta pessoal lhe causava, apesar de tudo, enorme surpresa.
Já não cultivava a mesma frieza da noite anterior, nem pensava que fora uma coisa comum o que acabara de fazer. Limpou, com a manga da túnica, a saliva dos cantos da boca, que se acumulara ao gritar aos principais sacerdotes e anciãos, limpou o suor que seguia na direcção dos olhos.
- «Eu condenei um homem inocente à morte! Traí um inocente!» – foi o que Iscariotes gritou, engolindo em seco um nó na garganta.
Até ali fizera tudo com discrição, para evitar tumultos, usara a astúcia, mas pensava com tristeza que o dinheiro não tinha necessariamente que o transformar dessa maneira, mas era tarde.
- Se a minha alma fosse material, estaria agora destroçada em farrapos – disse-me Iscariotes, quando se despediu, à pressa, nessa manhã.
Seria como um sentimento desagradável e simbólico que quase fizera em farrapos a sua capa, se não fosse apenas o acaso de a rasgar numa esquina afiada de uma das paredes do templo ao fugir apressadamente.
Quem o visse, naquele momento, com toda aquela agitação, diria que estava ali um sicário, desesperado para se vingar dos romanos, procurando nas sombras entre as esquinas sinuosas da rua que levava para fora da cidade, como uma criança que procura no ar o lado de onde vêm as vozes dos pais.
Quem o conhecesse de perto, como eu, diria que aquele homem estava agora com uma crise de fé, balbuciava um nome ininterrupto «Mestre», como um agnóstico de boa vontade. A ironia já não era o seu anteparo, a ironia que sublimara naquele sinal identificador, do beijo no mestre, com que completou o processo da rejeição que sempre demonstrou em relação a Jesus.
Vi-o afastar-se com o cabelo coberto por um talit, curvado, sem cabeça, como a querer cozer às sombras o seu rosto.
Ali na rua estava instalado aquele burburinho com que se iniciam as manhãs muito cedo, havia a um canto oito ou nove pessoas que conversavam sobre uma condenação invulgar, que o Sinédrio efectuara de noite.
- Foi uma rusga e uma acareação.
- Com certeza, porém foi tudo um pouco às escuras.
- Sim – disse um homem alto que estava à ponta do grupo, que percebeu outro sentido na alusão à obscuridade – sim, às escuras, à margem da própria legalidade religiosa.
- Mas não, o politicamente correcto vai prevalecer, Pilatos dará a palavra derradeira. – Sentenciou alguém, que se evidenciava da mediania do grupo.
Ao olhar Iscariotes deste ponto, parecia um homem que ia decidido a fazer uma viagem.
E na última casa da rua, onde se virava a esquina para o caminho dos arredores da cidade, como se virasse uma página, deitou para trás um olhar de medo, escorregou ou tropeçou numa relevância do terreno, não vi bem, e desapareceu repentinamente.
Soube que começara bem com o dinheiro que os sacerdotes lhe tinham dado na noite anterior. Mas durante a mesma, o toque naquelas trinta pratas não se diferenciara daquele com que costumava passar a mão nas moedas do saco das esmolas.
Tais remorsos, por assim dizer, sensoriais, revelaram-se através de uma náusea incontida. Há sempre um momento em que os pecadores têm vergonha, porque esta é, desde as origens do homem, uma forma de conhecimento.
Mas o seu voltar atrás foi apenas materialista: foi só para devolver aquilo de que mais gostava, levado sem esperança pela angústia da culpa.
Cabisbaixo, Iscariotes dissera-me qualquer coisa apressadamente sobre a repulsa que sentia por si, como aguentara a indiferença dos principais do templo, e como depois de se aproveitarem dos seus préstimos sem ética, o deixaram entregue ao seu destino solitário.
Iscariotes não podia absolver-se, porque não tinha nenhuma dúvida razoável sobre o seu acto. E nunca fora homem para possuir uma apreciação moral de um acto daquela natureza.
A menos de dez estádios de distância, já em pleno campo, levantou os olhos por entre os fiapos da manhã enevoada, uma névoa que parecia consistente, e lá estava a árvore raquítica, plantada como um rubor floral no meio do verde, carregada de flores purpúreas.
A chegada da morte, media-se agora em metros, não em tempo, porquanto Iscariotes estava a levar seus últimos passos a aproximarem-se do local.
E aí deteve-se bruscamente.
- Foi acossado pelo remorso – comentou um publicano que era apóstolo de Jesus, a quem chamavam Levi mas na realidade era Mateus, enquanto nos aproximávamos do campo do oleiro.
- Foi tocado de remorso – repeti eu com voz triste, enquanto procurava ver fragilidades na árvore que Iscariotes usara, já o sol fazia ângulos rectos entre os objectos e as sombras.
Especializações

Hoje vêem-se muitos a querer ser pregadores, mas poucos desejam o pastorado. O púlpito atrai, mas a dureza do pastorado afasta. Foi assim que surgiram, por esse mundo fora, os «ministérios itinerantes» e as subsequentes especializações. Temos hoje especialistas em baptismo no Espírito Santo, em cura interior, em finanças, em profecia, em liderança, em ministérios etários, como em evangelismo, em ensino, em missões».Thursday, March 27, 2008
O Tempo que passou
Wednesday, March 26, 2008
Monday, March 24, 2008
Luis Gaspar diz:
Neste programa, voltamos, a pedido, às lendas de povos antigos e recordamos palavras de ouro de dois poetas: J.T. Parreira e Jorge Sousa Braga.A música que acompanha a lenda é, como sempre, de Luís Pedro Fonseca e a que ilustra a poesia do “magnatune.com”
Standard Podcast [21:51m]: Hide Player Download
Friday, March 21, 2008
A pedra a tapar a evidência
a evidência, apenas uma pedra
bloco uníssono
de silêncio
Feia, indomada
a pedra a fechar a morte
perante a qual
toda a dúvida se acaba
E no entanto nada há
mais simples
do que a pedra, símbolo
do que queda irresolúvel
Uma pedra branca, granito
não mármore, nem
impossível esmeralda
a pedra a tapar a evidência
Pedra desviada pela música
toque de rosa ou
da imensa Mão celeste
Então a pedra abre-se
ao interior da morte
de onde ao sol passou
o Princípe da Vida.
Monday, March 17, 2008
As Pedras

Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”
afasto as contrariedades
do caminho
observo-lhes a singularidade
percebendo as arestas gastas
de cada uma
mas só se querem quietas
as pedras
para construir
as catedrais da vida
os castelos do sonho
palavras de calcário
que lançadas a esmo fazem
buracos na alma.
Palmela, Dezembro de 2007
(Brissos Lino)
Wednesday, March 12, 2008
Jornalismo Evangélico de ocasião
Segundo os melhores investigadores da comunicação social, informação e comunicação não são sinónimos. Informação é a mensagem, comunicação é a relação que essa mensagm estabelece com o leitor, telespectador ou ouvinte.
Os jornais ou revistas e outros meios de comunicação social do meio evangélico não podem, nem devem fugir a este paradigma. Nas lições de jornalismo evangélico, costumamos iniciar de uma forma pedagógica os trabalhos com a referência aos vocábulos «noticiar» e «publicar», inseridos no Segundo Livro de Samuel (1,20).
Mais do que a alusão histórica ao conceito remoto da notícia, digamos que no Alto Velho Testamento, existe já a preocupação com os resultados do binómio informação-comunicação.
A mensagem que a informação iria fazer passar não era benéfica, apesar das chamadas objectividade, rigor e verdade, porquanto era uma comunicação que exerceria influência psicológica sobre quem a ouvisse - tristeza e desânimo para uns, gáudio e galvanização para outros -, obviamente os inimigos de Isarel.
Eis o que me parece que está a suceder com alguns textos de opinião publicada em órgãos de informação evangélicos, designadamente no Brasil, que deveriam resguardar «a religiosidade cristã», de um modo geral, e a utilização da Bíblia de uma maneira particular, sem que óbvia e desejavelmente faltassem à verdade factual, mas não dando a impressão de estarem «a dar tiros nos próprios pés».
Não basta já que detractores usando sem seriedade a capa da «filosofia» vão sugerindo que Deus «consente» que o Mal caia sobre velhos, mulheres e crianças indefesos, ou, retomando um pensamento sério de Unamuno, que assista silencioso à tragédia universal, como ainda por cima nós próprios estarmos a transformar alguns dos conflitos actuais em resultados de um fundamentalismo cristão exacerbado e alegadamente de «extrema-direita»?...
Parece-nos que existe, em certos redutos de opinião cristã evangélica, um cristianismo bíblico... de esquerda e outro de direita. É da natureza da Fé e da Ética Cristã não afirmarem uma coisa e o seu contrário.
Colocar a nossa honestidade religiosa e intelectual ao serviço dos críticos do Cristianismo Evangélico com a impressão de que estamos a ser os mais justos, a fazer côro com pressupostos ditos pacifistas, é o que menos se espera do jornalismo evangélico, nomeadamente em língua portuguesa, sobretudo nestes tempos de crise.
(Artigo escrito e publicado em 2003, e reutilizado numa Tese de Licenciatura na Un Rio de Janeiro em 2006, mas que continua a ser válido para hoje.)
Saturday, March 08, 2008
Dia 8 de Março
"Nadie besa dos veces / a la misma mujer"
('Mi futuro y Heráclito')
Friday, March 07, 2008
Wednesday, March 05, 2008
Antologia Poética
3 Irmãos - Antologia (PDF)
Antologia poética reunindo obras de três dos maiores poetas evangélicos da língua portuguesa, Gióia Júnior, Joanyr de Oliveira e J. T. Parreira
Magnificat
e os lábios de Maria.
A manhã pairava pluma
desprendida de uma ave.
O anjo em cada palavra decifrava
o código de Deus
como profeta antigo.
A luz atravessava o vento
quando o anjo abria
a boca com palavras
e o coração da serva do Senhor.
Nada mais quieto que o peito de Maria
pairando entre ondas de sangue
e alegria.
Monday, March 03, 2008
Do Paraíso para nenhuma direcção
Miguel Ângelo, Expulsão do Paraíso( 1509/1510)Thursday, February 28, 2008
Os Meninos da sua Mãe
No Portal da Aliança Evangélica Portuguesa
Saturday, February 23, 2008
Onde estavas na noite em que doía
no silencio das lágrimas perante
a cruz que se erguia desolada
Pedro onde estavas, quando só o vento
cantava baixinho entre os dedos de Maria
onde estavas Pedro, quando olhei
e vi apenas o sono nas pálpebras
daqueles que prometeram
ficar a velar nas sombras
Onde estavas? Pedro onde estás?
Aqui eu procuro-te e chamo pelo teu nome
Pedro, ou serei eu a perguntar por mim
na noite em que o galo canta.
Monday, February 18, 2008
Colóquio sobre Bocage há quase 30
Saturday, February 16, 2008
Tuesday, February 12, 2008
Porta Larga
Há risos atraindo a entrada
depois o silêncio começa
a pesar nos lábios
Há biliões que empurram biliões
de olhos para caberem
biliões de olhos que não têm saída
Chamam-nos, e vão
buscando na dúvida uma luz
por baixo das sombras da estrada.
Friday, February 08, 2008
Friday, February 01, 2008
Wednesday, January 30, 2008
Como Abraão

Morde
como um menino os seios
da Via Láctea
Na boca aberta um espanto
sorve o leite matinal
que vai nascer
da aurora
Enquanto isso procura
entre as distâncias
das estrelas
os nebulosos mares
Tudo o que está velado
procura
perde o inacabado número
das estrelas
e regressa ao zero
e recomeça do que sobra
do coração
cansado.
Thursday, January 24, 2008
Tuesday, January 22, 2008
A semiótica narrativa dos objectos de Gideão

O episódio bíblico-histórico de Gideão já originou um importante movimento evangélico à escala mundial. O paradigma foi, sem dúvida, a selecção tendo em vista uma determinada tarefa. Os Gideões Internacionais, como são conhecidos, seleccionados entre as diversas igrejas, desenvolvem, assim, um ministério nobre de espalhar o Livro de Deus em hotéis, escolas, hospitais, etc. Mas a proposta fundacional daquela personagem do Velho Testamento aprofunda e desencadeia outros pensamentos e outras hermenêuticas. Porventura uma das mais aliciantes abordagens, será no âmbito da semiologia, digamos assim, dos objectos usados por Gideão.
Ao lermos o texto bíblico que narra a preparação da batalha contra os medianitas, cingimo-nos exclusivamente a que se trata de um episódio de passagem,
Não devemos, no entanto, ignorar que existe, designadamente no episódio «Gideão, com trezentos homens, vence os medianitas», uma narratividade literária que estrutura o alcance teológico do ensino de Deus ao seu povo, numa circunstância adversa e de crise. Convém colocar em paralelo em todo texto, o assombro da grande literatura, a imaginação, e uma linguagem. Numa palavra, a língua comunictiva de Iavé, o próprio dizer de Deus à conversa com Gideão.
O filósofo e linguista George Steiner justificou no seu livro «Depois de Babel » a capacidade por parte do homem entender a língua de Deus, no Paraíso, pela existência de uma sintaxe divina, que ao longo da história do relacionamento de Deus com os patriarcas, profetas, sumo-sacerdotes, reis no Velho Testamento, se foi manifestando até à encarnação do Verbo. E assim dos Apóstolos até ao crente mais simples na Igreja de Cristo.
no Portal Evangélico da AEP
Saturday, January 19, 2008
A Voz e a Palavra
(Anton Chekhov)
Porque eu creio
sou
e falo ao vento
sem medo das vozes
secas, fantasmagóricas
do boomerang sonoro
os ecos da fé delineiam
a moldura dos dias
e vestem um sonho
nas mãos
saboreio uma taça de alegria
entre portas
e seguro no coração a certeza
escondida
de uma Palavra eterna
que não quero
desaparecida.
Palmela, Dezembro de 2007
(Brissos Lino)
Friday, January 18, 2008
Na Wikipédia
Usuário:J.T.ParreiraOrigem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
J.T.Parreira, assinatura literária do poeta português de formação evangélica, João Tomaz Parreira. Nasceu em Lisboa, em 1947. Reside em Aveiro. Escreve poesia, de inspiração evangélica, publica artigos de teologia em revistas especializadas do ramo, na área da confissão religiosa reformada. Escreveu para jornais regionais semanários, com carácter de jornalista free-lancer, sobre literatura e artes plásticas, colabora com textos para uma Galeria de Arte. Publicou entre 1973 e 2005, quatro livros de poesia, um ensaio teológico sobre o Prólogo do Evangelho de S.João. Tem participações em antologias poéticas, sendo as mais significativas, aquelas que a Assírio & Alvim, Lisboa, editou na década de 80, e o Grupo Poético de Aveiro publicou entre 2003 e 2005, e a homenagem a Neruda na obra colectiva «Neruda, Cem Anos Depois»,da Universitária Editora,Lisboa, em 2005. O seu último livro de poemas «Contagem de Estrelas» (1996), nasceu de observações interiores e exteriores ao Eu poético durante uma estadia em Salamanca, em 1993, e em contacto com o poeta salmantino, já falecido, Remígio Gonzalez Adares, e o acervo museológico do poeta Miguel Hernandez, da célebre Geração de 27. Edita um blogue poético-literário www.poetasalutor.blogspot.com e figura no Projecto Vercial, com o seu nome literário.
Wednesday, January 16, 2008
Saturday, January 12, 2008
Outro Salmo 121
Tuesday, January 08, 2008
Na revista "Avivamento"
Monday, January 07, 2008
Friday, December 28, 2007
Poemas traduzidos (I)
Dying/Is an art, like everything else.
Sylvia Plath
He sits on ancestral door
from where its eyes
eat a few dreams
can’t spring
into streets of world
its weak legs
its
tired eyes
read the Job's book.
(in Literary Kicks e Pomes Penyeach)
Sentado na porta ancestral
de onde seus olhos
comem alguns sonhos
não podem saltar
nas ruas do mundo
as suas pernas fracas
seus
olhos cansados
lêem o Livro de Job.
Friday, December 21, 2007
O não ter Senhor começado uma rua
O não ter havido Senhor para ti
lugar na cidade, nas mãos
que deveriam ungir-te, até
lugar na voz que prometera
do fundo dos dias cantar-te
O não ter havido Senhor uma porta
uma casa cheia para receber-te
um espaço entre os peitos
de todas as mães, um olhar
onde morasses com ternura
O não ter Senhor começado uma rua
à espera do teu Nome
nem ainda hoje quando passas
Senhor no rosto de um homem
ou uma mulher feliz por te acolher.
Thursday, December 20, 2007
La poesía señores
no sólo está en los libros imprimamos
en el aire
el aire és el papel más transparente
(Blas de Otero)
Tuesday, December 11, 2007
Ovelhas voam sobre Belém
Monday, December 03, 2007
Do livro inédito, "Princesa Triste", de Brissos Lino
Um pequeno barco à vela
lá muito ao longe, no mar
parece que não se move
mas percebe-se a navegar.
O vento de feição curva-lhe as velas
brancas de paz
havendo ondas ou mar chão
tanto faz.
O Sol brilha no casco, também alvo
e os dois tripulantes, de tronco nu e luzidio
concentram-se nas tarefas de marinhagem
sem calor nem frio.
Mas se uma sereia levantar a voz do canto
e os atrair ao perigo
aí vou-me lembrar que tudo isto não passa
afinal
de um simples quadro a óleo
pendurado na parede
da sala
mesmo ao lado do postigo.
Praia do Vau, Agosto de 2007
Saturday, December 01, 2007
Contrariando Theodor Adorno

A poesia pode iluminar a escuridão de Auschwitz
Auschwitz
Poema de Brissos Lino
homens e mulheres
russos, judeus e polacos
a besta nazi rumina
o stock ignominioso
satanás desmascarado
…………………………………..
o céu é cinzento e húmido
Friday, November 30, 2007
Wednesday, November 21, 2007
Sem-Abrigo / Uma Nuvem em Tróia, dois poemas
musching a plum on
the street a paper bag
(mascando ameixas pela
rua num saco de papel)
William Carlos Williams
Tira as rugas
ao papel
de uma das pernas
das calças, põe
o saco ao ombro
já andou
por melhores mãos,
agora
recolhe meio
comidos restos
O casaco retirou há tanto
tempo
uma das mangas, tem
menos um braço
para abraçar a solidão
a lã está a ficar leve
no décimo ano cheio
de vicissitudes e
caminhos
um sapato
vai descalçando
um pé.
(João Tomaz Parreira)
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Do livro “Salmo Presente”, Ed. IEC, 1996:
UMA NUVEM EM TRÓIA
Hoje há maçãs húmidas
na nossa praça
já não chove
e há caracóis resolutos
em cada pedaço de erva
a Arrábida molhada
seca agora
aberta ao sol.
Paira ainda uma nuvem solitária
sobre a península
a projectar sombra no rio
nuvem esquecida
envergonhada
no tecto limpo
de Tróia.
(Brissos Lino)
Tuesday, November 13, 2007
As "Aparições" em Vergílio Ferreira

Procurar Deus, a Fé e a religiosidade nas 22 obras de ficção, nos 12 livros de ensaio e 11 diários de Vergílio Ferreira, será obra homérica. Será contudo acto legitimado por um conjunto de razões, entre as quais temos os próprios termos definidos pelo autor no que concerne ao invisível.
Estará, de resto, na linha dos teólogos do século XX que acharam normal interrogar a literatura para nela encontrarem um testemunho sobre a fé e sobre a descrença, sobre o significado da existência do Homem e de Deus, ou sobre a ausência divina.
Vergílio Ferreira interrogou-se através do romance "Aparição". Neste existe um verdadeiro problema com a religiosidade.E com a metafísica. E as suas personagens traduzem, de facto, esse dilema, carregando-o.
Na verdade, Alberto, o protagonista-narrador, não se distancia da sua narração, como compete de resto a um narrador que estabelece a trama, a intriga da sua própria história. Diria que Alberto Soares se criou a si próprio como personagem, a partir das várias aparições que desde logo lhe conseguimos apontar, desde a primeira página numa espécie de «corrente de consciência», ou monólogo interior:
- A Aparição das coisas, a tomada de consciência dos objectos,
- A Aparição do «nous», do pensamento, das ideias,
- A Aparição ontológica do Ser,
- A Aparição de si a si próprio, a epifania do Eu,
- A Aparição do humano contra o divino,
- A Aparição do absurdo da morte. («A iluminação da vida perante a evidência da morte»).



















