Papéis com apontamentos de um percurso de cinquenta anos de pensamento evangélico, desde 1964. Este Blog não respeita o Acordo Ortográfico
Wednesday, January 16, 2008
Saturday, January 12, 2008
Outro Salmo 121
Tuesday, January 08, 2008
Na revista "Avivamento"
Monday, January 07, 2008
Friday, December 28, 2007
Poemas traduzidos (I)
Mister Lazarus
Dying/Is an art, like everything else.
Sylvia Plath
He sits on ancestral door
from where its eyes
eat a few dreams
can’t spring
into streets of world
its weak legs
its
tired eyes
read the Job's book.
(in Literary Kicks e Pomes Penyeach)
Sentado na porta ancestral
de onde seus olhos
comem alguns sonhos
não podem saltar
nas ruas do mundo
as suas pernas fracas
seus
olhos cansados
lêem o Livro de Job.
Dying/Is an art, like everything else.
Sylvia Plath
He sits on ancestral door
from where its eyes
eat a few dreams
can’t spring
into streets of world
its weak legs
its
tired eyes
read the Job's book.
(in Literary Kicks e Pomes Penyeach)
Sentado na porta ancestral
de onde seus olhos
comem alguns sonhos
não podem saltar
nas ruas do mundo
as suas pernas fracas
seus
olhos cansados
lêem o Livro de Job.
Friday, December 21, 2007
O não ter Senhor começado uma rua
O não ter havido Senhor para ti
lugar na cidade, nas mãos
que deveriam ungir-te, até
lugar na voz que prometera
do fundo dos dias cantar-te
O não ter havido Senhor uma porta
uma casa cheia para receber-te
um espaço entre os peitos
de todas as mães, um olhar
onde morasses com ternura
O não ter Senhor começado uma rua
à espera do teu Nome
nem ainda hoje quando passas
Senhor no rosto de um homem
ou uma mulher feliz por te acolher.
Bom Natal para todos que passem por aqui!
Thursday, December 20, 2007
La poesía señores
La poesía señores
no sólo está en los libros imprimamos
en el aire
el aire és el papel más transparente
(Blas de Otero)
no sólo está en los libros imprimamos
en el aire
el aire és el papel más transparente
(Blas de Otero)
Tuesday, December 11, 2007
Ovelhas voam sobre Belém
Monday, December 03, 2007
Do livro inédito, "Princesa Triste", de Brissos Lino
BARCO À VELA
Um pequeno barco à vela
lá muito ao longe, no mar
parece que não se move
mas percebe-se a navegar.
O vento de feição curva-lhe as velas
brancas de paz
havendo ondas ou mar chão
tanto faz.
O Sol brilha no casco, também alvo
e os dois tripulantes, de tronco nu e luzidio
concentram-se nas tarefas de marinhagem
sem calor nem frio.
Mas se uma sereia levantar a voz do canto
e os atrair ao perigo
aí vou-me lembrar que tudo isto não passa
afinal
de um simples quadro a óleo
pendurado na parede
da sala
mesmo ao lado do postigo.
Praia do Vau, Agosto de 2007
Um pequeno barco à vela
lá muito ao longe, no mar
parece que não se move
mas percebe-se a navegar.
O vento de feição curva-lhe as velas
brancas de paz
havendo ondas ou mar chão
tanto faz.
O Sol brilha no casco, também alvo
e os dois tripulantes, de tronco nu e luzidio
concentram-se nas tarefas de marinhagem
sem calor nem frio.
Mas se uma sereia levantar a voz do canto
e os atrair ao perigo
aí vou-me lembrar que tudo isto não passa
afinal
de um simples quadro a óleo
pendurado na parede
da sala
mesmo ao lado do postigo.
Praia do Vau, Agosto de 2007
Saturday, December 01, 2007
Contrariando Theodor Adorno

A poesia pode iluminar a escuridão de Auschwitz
Auschwitz
Poema de Brissos Lino
Os gritos, o medo
a força da vida
nos barracões de Auschwitz
metralhadoras miram
corpos nús
homens e mulheres
velhos
crianças
quatro milhões de inocentes
no espanto da igualdade
russos, judeus e polacos
franceses e outros
metralha e “Zyclon B”
a besta nazi rumina
vinte mil mortes por dia
nas câmaras de Auschwitz
toneladas de cabelo
milhares de óculos
roupas
dentes postiços
brinquedos e chupetas
o stock ignominioso
da besta
satanás desmascarado
no carnaval carioca
da morte
…………………………………..
o céu é cinzento e húmido
…………………………………..
o céu é cinzento e húmido
hoje
em Auschwitz.
In “Salmo Presente”, IEC, Setúbal, 1996
Friday, November 30, 2007
Wednesday, November 21, 2007
Sem-Abrigo / Uma Nuvem em Tróia, dois poemas
SEM-ABRIGO
musching a plum on
the street a paper bag
(mascando ameixas pela
rua num saco de papel)
William Carlos Williams
Tira as rugas
ao papel
de uma das pernas
das calças, põe
o saco ao ombro
já andou
por melhores mãos,
agora
recolhe meio
comidos restos
O casaco retirou há tanto
tempo
uma das mangas, tem
menos um braço
para abraçar a solidão
a lã está a ficar leve
no décimo ano cheio
de vicissitudes e
caminhos
um sapato
vai descalçando
um pé.
(João Tomaz Parreira)
######################
Do livro “Salmo Presente”, Ed. IEC, 1996:
UMA NUVEM EM TRÓIA
Hoje há maçãs húmidas
na nossa praça
já não chove
e há caracóis resolutos
em cada pedaço de erva
a Arrábida molhada
seca agora
aberta ao sol.
Paira ainda uma nuvem solitária
sobre a península
a projectar sombra no rio
nuvem esquecida
envergonhada
no tecto limpo
de Tróia.
(Brissos Lino)
musching a plum on
the street a paper bag
(mascando ameixas pela
rua num saco de papel)
William Carlos Williams
Tira as rugas
ao papel
de uma das pernas
das calças, põe
o saco ao ombro
já andou
por melhores mãos,
agora
recolhe meio
comidos restos
O casaco retirou há tanto
tempo
uma das mangas, tem
menos um braço
para abraçar a solidão
a lã está a ficar leve
no décimo ano cheio
de vicissitudes e
caminhos
um sapato
vai descalçando
um pé.
(João Tomaz Parreira)
######################
Do livro “Salmo Presente”, Ed. IEC, 1996:
UMA NUVEM EM TRÓIA
Hoje há maçãs húmidas
na nossa praça
já não chove
e há caracóis resolutos
em cada pedaço de erva
a Arrábida molhada
seca agora
aberta ao sol.
Paira ainda uma nuvem solitária
sobre a península
a projectar sombra no rio
nuvem esquecida
envergonhada
no tecto limpo
de Tróia.
(Brissos Lino)
Tuesday, November 13, 2007
As "Aparições" em Vergílio Ferreira

Procurar Deus, a Fé e a religiosidade nas 22 obras de ficção, nos 12 livros de ensaio e 11 diários de Vergílio Ferreira, será obra homérica. Será contudo acto legitimado por um conjunto de razões, entre as quais temos os próprios termos definidos pelo autor no que concerne ao invisível.
Estará, de resto, na linha dos teólogos do século XX que acharam normal interrogar a literatura para nela encontrarem um testemunho sobre a fé e sobre a descrença, sobre o significado da existência do Homem e de Deus, ou sobre a ausência divina.
Vergílio Ferreira interrogou-se através do romance "Aparição". Neste existe um verdadeiro problema com a religiosidade.E com a metafísica. E as suas personagens traduzem, de facto, esse dilema, carregando-o.
Na verdade, Alberto, o protagonista-narrador, não se distancia da sua narração, como compete de resto a um narrador que estabelece a trama, a intriga da sua própria história. Diria que Alberto Soares se criou a si próprio como personagem, a partir das várias aparições que desde logo lhe conseguimos apontar, desde a primeira página numa espécie de «corrente de consciência», ou monólogo interior:
- A Aparição das coisas, a tomada de consciência dos objectos,
- A Aparição do «nous», do pensamento, das ideias,
- A Aparição ontológica do Ser,
- A Aparição de si a si próprio, a epifania do Eu,
- A Aparição do humano contra o divino,
- A Aparição do absurdo da morte. («A iluminação da vida perante a evidência da morte»).
Thursday, November 08, 2007
Paris, Inverno 1994
Tuesday, October 30, 2007
A Segunda Vinda (II)
À espera do Amado
como uma casa que espera
um ladrão gentil
que saltará
na casa
como um perfume
Ele verá esta
pálida
casa
Ele tomará
este bocado
de nada
Ele moverá meus pensamentos
dobrará as sombras
das coisas ignóbeis.
como uma casa que espera
um ladrão gentil
que saltará
na casa
como um perfume
Ele verá esta
pálida
casa
Ele tomará
este bocado
de nada
Ele moverá meus pensamentos
dobrará as sombras
das coisas ignóbeis.
Saturday, October 20, 2007
"Jovem Cristão", Outubro de 1987

Artigo publicado in nº 27, revista da CPAD, Brasil
POESIA
UM OUTRO ADEUS PORTUGUÊS
"e como um adolescente tropeço de ternura
por ti"
Alexandre O'Neill
Dentro dos meus olhos uma outra
forma de olhar
suporta a tua dor,
amparo-te na escada fluvial
que te traz ao dia,
no cais onde acostam
tuas sonâmbulas palavras
mais uma puríssima manhã
que deverias tratar
com o leite corporal
róseo da perpétua aurora
não podemos ficar nesta curva
entre sonhos de uma rosa enorme
que deixa o lirismo
a contas, indeciso com o mais
lancinante espinho.
6-1-2007
Wednesday, October 10, 2007
Senhor Lázaro
Dying / Is an art, like everything else.
Sylvia Plath
Está sentado na porta ancestral
De onde seus olhos
Comem os sonhos de pobre
Não podem saltar
No mundo
As suas pernas
Os seus olhos
Cansados
Lêem o Livro de Job.
Sylvia Plath
Está sentado na porta ancestral
De onde seus olhos
Comem os sonhos de pobre
Não podem saltar
No mundo
As suas pernas
Os seus olhos
Cansados
Lêem o Livro de Job.
Saturday, October 06, 2007
Um Cigarro
Friday, October 05, 2007
Thursday, October 04, 2007
A Construção da Dor

A preservação da memória nada tem de virtual no Museu do Holocausto, em Jerusalém.
O chamado Yad Vashem é um memorial do povo Judeu aos seus seis milhões de mortos, na Solução Final da Questão Judaica.
O monte onde foi edificado em 1953 e está instalado até hoje o museu «dos heróis e vítimas do holocausto judeu», o Yad Vachem, é uma montanha documental.
Ao designar-se como Monte da Comemoração, sublinha, toponimicamente, não apenas a lembrança do passado, como uma catarse continuada, mas também «o labor para educar os jovens no sentido de que não esqueçam o que sucedeu durante a Segunda Guerra Mundial e a solução final orquestrada por Adolfo Hitler» - afirmou recentemente a chefe da diplomacia israelense, a senhora Tzipi Livni.
Sem dúvida que recordação é o vocábulo central, cuja semântica toca, psicologicamente, o vazio deixado por seis milhões de mortos, a chama física do lume que ilumina os nomes dos 21 campos de extermínio nazis, a escrita em basalto negro, a crueldade sistematizada num programa de extermínio, os testemunhos de 62 milhões de documentos, as 267.500 fotografias, os milhares de vídeos com a palavra testemunhal de sobreviventes desse período que escureceu a identidade da Europa.
Tudo isso é o Museu do Holocausto, ao qual foi atribuído, no passado mês de Setembro, o prestigiado Prémio Princípe de Astúrias, na categoria de Concórdia.
Mesmo que não possamos visitá-lo, que façamos apenas uma visita virtual no sítio www.yadvashem.org, a verdade é que a dimensão da tragédia, a construção da dor, o trauma continuado nos valores e na cultura ocidental, desde as décadas de 30-40 do século passado, se mantêm como uma «depressão» na alma europeia contemporânea.
Livros, filmes, documentários passam transversalmente por todo o mundo, e não será hiperbólico falar de «chama eterna» da memória desses factos terríveis, que ganharam uma dimensão trágica -estudada hoje nestes termos - nos domínios da estética, da ética, da biologia e da religião.
E a notícia do Prémio Princípe de Asturias atribuído ao museu israelense sublimou tudo o que ao longo destes mais de 60 anos se tem levado ao conhecimento dos homens, a nível planetário. O director da instituição, Avner Shalev, considerou mesmo que tal galardão «é vital à existência deste museu para que as gerações futuras não olvidem o passado e a crueldade da Alemanha Nazi.»
Texto que pode ser lido na íntegra em www.portalevangelico.pt
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Havia no Mundo Antigo, contemporâneo da Igreja do ano 30 do Século I, uma bem definida emigração de linguagem. Jerusalém era entre a Páscoa e o Pentecostes o retrato de uma mistura linguística, que nessas festas a tornava verdadeiramente cosmopolita.»


