No Paraíso, Adão foi de Queda em Queda após a desobediência. Aplicaríamos aqui um verso clássico do poeta alemão Rainer Maria Rilke para caracterizar a espiral de solidão, de medo, de angústia, de deceção consigo próprio oriundas do interior de Adão: “ O belo apenas é o começo do terrível”.
A falha do homem (de Adão), na Aliança ou Dispensação da Inocência, lançou-o em várias Quedas. A sua experiência espiritual, existencial e moral com Deus/o Criador entrou pela porta errada da rebeldia e da desobediência e tais quedas revelaram-se na chamada Aliança Adâmica, de inocente passou a responsável e os custos dessa mudança foram tremendos para a Humanidade.
A Queda
No século XIX, o filósofo cristão Kierkegaard, pioneiro na definição da angústia do Ser humano como um efeito, apresentou a causa da mesma: a Queda no Jardim do Éden. Desde tal definição até hoje, tem-se manifestado grande dificuldade em traduzir a palavra “angst”, que serviu de base para o pensamento kierkegaardiano, no que concerne, designadamente, ao existencialismo cristão. O conceito traduzido, que tem vindo a ser usado, é “ansiedade”.
Não é novo este termo, nos seus efeitos visíveis. Adão terá sentido profunda e indefinível ansiedade no Paraíso, quando necessitou de se esconder de Deus e, nesse tempo de espera, revolver os seus arcanos angustiadamente e modificar o seu olhar sobre o próprio corpo.
O livro do Génesis narra o primeiro acontecimento físico da Queda, a expulsão do Jardim: “E, expulso o homem”(Gn 3,24)
O que tal expulsão significou, não esteve apenas no campo de uma deslocalização de um sítio para outro, de dentro para fora do lugar edénico; a expulsão do jardim foi a circunstância /o aspecto visível de um desligamento da Comunhão íntima com o Criador, operado no momento dito da Queda, quando Adão (o Homem) sucumbiu à tentação e se tornou desobediente a Deus. Antes da expulsão física, houve a espiritual e depois a existencial, se quisermos, e ainda a social, para aplicarmos termos que hoje nos são comuns.
Muito e incontável tempo depois, em pleno início da Igreja, Paulo de Tarso escreve que “todos pecaram e estavam destituídos da glória de Deus”(Rm 3,23)
Outra queda
Em vão procuramos nas Concordâncias clássicas e antigas, como a Cruden's ou a Concordances Verbales de Louis Segond, a palavra Queda para exprimir a passagem de Adão da inocência ao pecado. Não parece que disponhamos desse vocábulo para sublinhar a narrativa do Génesis.
O NT, apenas como um exemplo, quando refere “queda”, entre outras acepções usa este termo em relação a Israel (Rm 11:11). E por aí, expressões com os sentidos verbal e substantivo.
O termo “Queda” do homem é de uso da teologia e muito tardio já. Pertence, contudo, à história da salvação, não pode haver soteriologia séria que o não inclua. Pertence à pregação (ao querigma) mais do que à arqueologia dos termos bíblicos relativos ao Pecado original.
Assim surge desde as origens da linguagem grega ou hebraica como apostasia, rebeldia(rebelar-se), desviar, abandono, separação, etc. e, finalmente, perdição e ruína, no sentido moral e religioso.
Vários teólogos protestantes pós Kierkegaard usaram o termo para exprimir suas ideias, uns que se tratava de um mito narrativo para falar da condição do homem face a Deus, outros um paradigma para falar do “homem fora da vida divina”; Barth chama-lhe mesmo a “queda do homem”. A “queda” é a condição humana, numa palavra, o Pecado.
Seguindo a narrativa de Génesis 3, apercebemo-nos que da chamada queda original resultaram várias outras quedas.
A queda existencial ou psicológica.
Ao contrário do que Kierkegaard entendia, Adão (o homem) não “estava fora” da raça humana antes de desobedecer, de transgredir o limite imposto por Deus. Possuía livre arbítrio e relação espiritual com o Criador bastantes para escolher, não ainda entre o Bem e o Mal, (Gn 2, 16-17), mas entre ser ou não fiel ao Seu Amigo, com o qual se encontraria todas as tardes ( Gn 3,8), que lhe levou os animais e as aves para “ver como (Adão/o homem) lhes chamaria” (Gn 2,19).
Com efeito, Adão era -como sabemos pelas Escrituras Sagradas- o primeiro Homem da raça humana. Adão era um indivíduo concreto. A sua relação com toda a Criação era essencial, advinha da sua essência de homem criado à imagem de Deus, a sua existência não era simbólica. Essa existência de harmoniosa relação com o Criador foi destruída, Adão passou a viver entregue a si próprio, agora sabia o Bem e o Mal. A sua liberdade estruturar-se-ia a partir daí entre estas duas categorias.
Na sua busca incessante de um existencialismo cristão, Kierkegaard definiu a universalidade da Queda, agora com absoluta razão ao escrever: “a queda de Adão desenha a queda de todo o homem”
Queda social
Com a Queda, a realidade social de Adão alterou-se radicalmente. Usando linguagem contemporânea, diríamos que a função social de Adão foi guardar e cultivar o Éden. Função adequada à coroa da Criação divina, trabalho dignificador, promoção social que Deus conferiu para o homem participar na manutenção da criação. O que se poderia chamar teologia do trabalho, a partir do livro do Génesis, radica nessa acção primordial de que Adão foi incumbido.
A instituição do trabalho, não como contribuição redentora, nem como castigo, mas como facto participativo da Criação, não deixou de sofrer o estigma do Pecado, da desarmonia que este introduziu na humanidade. Uma teologia do trabalho não parte de outro ponto. Deste ponto de vista, apreciando na narrativa genesíaca a voz divina, entendemos que da alegria, do gozo do trabalho, Adão caiu para a obrigatoriedade do mesmo. Foi o que Deus lhe quis dizer, nestas palavras divinas: “ maldita é a terra por tua casa: em fadiga obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos (…) No suor do rosto comerás o tu pão” (Gn3, 17-19).
Foi uma queda social que acompanhou toda a desarmonia da própria natureza. A acompanhar esta queda, esta nova situação do primeiro homem, esteve outra que lhe marcou doravante o seu novo lugar: fora do Jardim. A expulsão do Edén foi, indubitavelmente, uma tremenda queda social; Adão do Paraíso foi relegado para o Mundo.
“E expulso o homem colocou querubins ao oriente do jardim do Éden”.(Gn. 3, 24)
Ainda assim, a misericórdia divina colocou Adão no caminho de viver, se bem com a morte dentro de si. A vida e a morte, o bem e o mal, o espírito e a carne, como estruturantes da nossa humanidade.
Papéis com apontamentos de um percurso de cinquenta anos de pensamento evangélico, desde 1964. Este Blog não respeita o Acordo Ortográfico
Tuesday, July 19, 2011
Friday, July 15, 2011
Passagem por Samaria
!Y nadie sospechaba com qué temblor de urgencia
buscaba ella en la gente un resto de ternura!...
Andrés Quintanilla Buey
Diziam que ia ao poço
escondida sob o cântaro
que perdera já o olhar
varrendo o chão
a mulher samaritana
via apenas sombras
na água que do poço recolhia
ninguém suspeitava
que enchia de lágrimas o cântaro
Há quem diga que pecava
por um gesto de ternura
quando a rosa do sol incandescia
e trespassada de silêncio
se escondia, diziam
da mulher samaritana tanta coisa
ia ao poço para beber
da água repetida, na quietude frágil
da água, a sua vida.
buscaba ella en la gente un resto de ternura!...
Andrés Quintanilla Buey
Diziam que ia ao poço
escondida sob o cântaro
que perdera já o olhar
varrendo o chão
a mulher samaritana
via apenas sombras
na água que do poço recolhia
ninguém suspeitava
que enchia de lágrimas o cântaro
Há quem diga que pecava
por um gesto de ternura
quando a rosa do sol incandescia
e trespassada de silêncio
se escondia, diziam
da mulher samaritana tanta coisa
ia ao poço para beber
da água repetida, na quietude frágil
da água, a sua vida.
Friday, June 24, 2011
Poucas vezes a fome terá tido
Poucas vezes a fome terá tido
tanta altivez
como nos caixotes do lixo, com a cabeça
triste, levantada, a procurar
poucas vezes o homem terá sido
tão ignorado
pelo homem como quando lança as mãos
como uma rede
para apanhar o seu quinhão de ar
Estar escondido atrás da claridade
das cortinas da janela
e ver essa altiva pobreza, poucas vezes
terei tido nos meus olhos
a beleza dolorida de ser homem.
24/6/2011
tanta altivez
como nos caixotes do lixo, com a cabeça
triste, levantada, a procurar
poucas vezes o homem terá sido
tão ignorado
pelo homem como quando lança as mãos
como uma rede
para apanhar o seu quinhão de ar
Estar escondido atrás da claridade
das cortinas da janela
e ver essa altiva pobreza, poucas vezes
terei tido nos meus olhos
a beleza dolorida de ser homem.
24/6/2011
Saturday, June 11, 2011
Salmo
Oh Como é boa a suavidade dos girassóis
que se unem uns aos outros
a olhar para o sol, nenhum quer mais
sol que o outro irmão
e sabem que o vento raramente
lhes inclina as vestes para o chão
porque se amparam como se fossem
uma parede
verde com desenhos amarelos
de criança para sempre.
11/6/2011
que se unem uns aos outros
a olhar para o sol, nenhum quer mais
sol que o outro irmão
e sabem que o vento raramente
lhes inclina as vestes para o chão
porque se amparam como se fossem
uma parede
verde com desenhos amarelos
de criança para sempre.
11/6/2011
Wednesday, June 08, 2011
Suicídio na Greenwich Village
Um poema de Gregory Corso
Braços estendidos
mãos espalmadas contra o parapeito da janela
ela olha para baixo
pensa em Bartok, Van Gogh
e nas caricaturas do New Yorker
ela cai
eles levam-na com um Daily News no seu rosto
e um armazenista joga água quente na calçada
(Tradução de J.T.Parreira)
Braços estendidos
mãos espalmadas contra o parapeito da janela
ela olha para baixo
pensa em Bartok, Van Gogh
e nas caricaturas do New Yorker
ela cai
eles levam-na com um Daily News no seu rosto
e um armazenista joga água quente na calçada
(Tradução de J.T.Parreira)
Thursday, May 26, 2011
O que está por detrás da queda abrupta de DSK?
O que está por detrás da queda abrupta de DSK?
"Dominique Strauss Kahn foi eliminado por ameaçar a elite financeira mundial Dominique Strauss Kahn foi vítima de uma conspiração construída ao mais alto nível por se ter tornado uma ameaça crescente aos grandes grupos financeiros mundiais.
As suas recentes declarações como a necessidade de regular os mercados e as taxas de transacções financeiras, assim como uma distribuição mais equitativa da riqueza, assustaram os que manipulam, especulam e mandam na economia mundial.
Não vale a pena pronunciar-nos sobre a culpa ou inocência pelo crime sexual de que Dominique Strauss Kahn é acusado, os media já o lincharam."
Ler na íntegra Aqui (Via A Ovelha Perdida)
"Dominique Strauss Kahn foi eliminado por ameaçar a elite financeira mundial Dominique Strauss Kahn foi vítima de uma conspiração construída ao mais alto nível por se ter tornado uma ameaça crescente aos grandes grupos financeiros mundiais.
As suas recentes declarações como a necessidade de regular os mercados e as taxas de transacções financeiras, assim como uma distribuição mais equitativa da riqueza, assustaram os que manipulam, especulam e mandam na economia mundial.
Não vale a pena pronunciar-nos sobre a culpa ou inocência pelo crime sexual de que Dominique Strauss Kahn é acusado, os media já o lincharam."
Ler na íntegra Aqui (Via A Ovelha Perdida)
Monday, May 23, 2011
A viúva de Sarepta e Elias
I Reis, 17,12
Vamos cozer este pão
e depois morrer
vamos
carregar este chão
seco
com os nossos corpos, filho
e mãe, vamos comer a terra
que a seca amassou
vamos trazer para dentro
das quatro paredes
estes cavacos, encher os obscuros
buracos da sombra, alumiar a casa
com o lume e depois morrer
entre o vazio e a plenitude.
22/5/2011
Monday, May 16, 2011
Deixa-me semear flores
Deixa-me semear flores
muitas flores
no teu quintal interior
e cenouras
e couves de Bruxelas
à beira do poço
como quem humedece
um coração esquivo
a pedir verde
antes que cardos e bichos
sufoquem as nossas elevadas
intenções
deixa-me abrir-te as cores fortes
da vida que hesita
confusa
entre nós.
7/5/11
Poema de Brissos Lino inédito para este Blog.
Saturday, May 14, 2011
Sozinho no Getsémani
A traição de Cristo. de Caravaggio
“A minha alma está profundamente triste até à morte”
Jesus Cristo
Fiz sozinho as minhas pegadas
até aqui
e o veludo da noite pousando
nas pedras limou as arestas
a minha angústia vertendo gotas
pela minha fronte
meus olhos sozinhos
palmilhando o céu deixaram pegadas
cada anjo alheou-se de mim
na noite a transbordar de estrelas
como um cálice
nesta noite como a água
de sombras de um poço imenso
fiz sozinho as pegadas
da agonia na minha alma até aqui.
14/5/2011
“A minha alma está profundamente triste até à morte”
Jesus Cristo
Fiz sozinho as minhas pegadas
até aqui
e o veludo da noite pousando
nas pedras limou as arestas
a minha angústia vertendo gotas
pela minha fronte
meus olhos sozinhos
palmilhando o céu deixaram pegadas
cada anjo alheou-se de mim
na noite a transbordar de estrelas
como um cálice
nesta noite como a água
de sombras de um poço imenso
fiz sozinho as pegadas
da agonia na minha alma até aqui.
14/5/2011
Friday, May 06, 2011
Como se faz um Anjo
Poema inédito de Brissos Lino
como se faz um anjo?
inquiriu a criança
de olho nas asas alvas
da imaginação
feitas de nuvens leves
ou mesmo algodão doce
posso fazer uma nuvem
com asas de anjos?
e depois pintava-a de amarelo
ou de verde
como os teus olhos
mãe.
5/5/11
como se faz um anjo?
inquiriu a criança
de olho nas asas alvas
da imaginação
feitas de nuvens leves
ou mesmo algodão doce
posso fazer uma nuvem
com asas de anjos?
e depois pintava-a de amarelo
ou de verde
como os teus olhos
mãe.
5/5/11
Tuesday, April 26, 2011
No Dia da Sua Morte
Hoje os cordeiros sentiram calafrios
no leite materno, beberam
os trigos o orvalho do chão
inclinando as espigas
hoje o sol abrandou
o seu ímpeto de fogo
e cedeu
a angústia pesada das pedras
dos sepulcros
hoje neste dia desigual
todas as mães sentiram
estremecer o útero
porque na cruz
uns olhos bordados de doçura
sucumbiam.
25/4/2011
Tuesday, April 19, 2011
Wednesday, April 06, 2011
Se me tirar os Olhos
Se me tirar os olhos, não ficarei
no entardecer
nem me perderei no caminho
com os meus dedos irei
sob o fogo azul do sol
tocar ainda os rostos que conheço
Se me tirar os olhos
poderei sonhar para dentro
tal como a água terna das lágrimas
começa antes no fundo inominável
Se me tirar os olhos
todas as coisas
serão cores que ouvirei
nos sons que conheço, um neto
afundando a cabeça no meu peito
será uma canção
entre um pássaro e outro pássaro
sentirei o vento do seu voo
e assim o que agora não vejo
em todas as coisas tornar-se-á claro.
6/04/2011
Sunday, March 13, 2011
Um epigrama do Salmo 23 de Hemingway
A poesia de Ernest Hemingway foi recomendada por Ezra Pound. “Ele escreve muito bons versos.” Tem uma linguagem precisa e selecciona com cuidado as suas impressões visuais, resumia o autor de Os Cantos, reservando para o lado do imagismo as imagens de alguns dos poemas de Hemingway.No Neothomist poem, EH relaciona a partir do título a temática religiosa com o naturalismo, parece inspirar-se na fé de Tomás de Aquino, sobretudo, mais do que na filosofia de Aristóteles. A bem dizer, é uma paráfrase poiética do Salmo 23 perfeitamente cristã, estruturada no conceito da fé sobre o que se não pode ver ainda.
Neste poema de dez versos (ten-line poem), que o autor acabou por reduzir a um epigrama, produziu um eco do Salmo 23, uma paráfrase sintética que resume toda a omnipotência e omnipresença do pastor. Inicialmente os dez versos eram uma imitação do Salmo. Desconexa na sua estrutura poética, no seu enunciado salmódico, colocando lugares e adereços no poema que não correspondem nem canónica nem datadamente ao conteúdo do poema hebraico de David.
Da redução do poema a duas linhas apenas, não se encontra nenhuma explicação. Apenas gravura do poema dactilografado por inteiro e depois já o epigrama publicado em The Exile, uma revista literária editada em 1927 por Ezra Pound.
Todavia, o resultado, o epigrama não exibe mordacidade nenhuma. Nem se vislumbra resquícios de crítica.
Contudo, anotações marginais ao poema vêm esclarecer que o que parece ser uma referência ao Tomismo, pode bem não ser. Ainda que lateralmente Hemingway tenha desejado sublinhar alguma coisa a ver com a religião, ao que parece.
A verdade é que o autor de “Por quem os sinos dobram”quer significar com este título a conversão à Igreja de alguns dos seus amigos como Jean Cocteau e, sobretudo, Thomas Sterns Eliot (T.S.Eliot), de onde o “Thom” pode bem ser a sugestão.
NEOTHOMIST POEM
The Lord is my shepherd
I shall not want his for long
he maketh me to lie down in green pastures
and there are no green pastures
he leadeth me beside still waters
and still waters run deep
the wind blows and the bark of the trees is wet from the rain
the leaves fall and the trees are bare in the wind
leaves float on the still waters
there are wet dead leaves in the basin of the fountain
POEMA NEO-TOMISTA
O Senhor é o meu pastor, nada
me faltará por muito tempo
ele me faz repousar em pastos verdejantese não há pastos verdesguia-me mansamente a águas tranqüilase ainda correm águas profundas
….
o vento sopra e a casca das árvores está molhada da chuvaas folhas caem e as árvores estão nuas ao ventofolhas flutuam sobre as águas calmashá folhas mortas molhadas na bacia da fonte
POEMA NEO-TOMISTA
O Senhor é o meu pastor, nada
me faltará por muito tempo.
(Tradução de poemas de J.T.Parreira)
Tuesday, February 08, 2011
Lição poética de podologia:

Nem sempre os pés desistem
Nem sempre os pés desistem de caminhar
para ficar de frente aos outros
a convergir
nem sempre param
para escutar dores e estórias
de outros andarilhos da vida
e aventura
esquecem-se muito de partilhar a jornada
deixam escapar as alegrias
da comunhão
mas acabam por concluir que o chão
que pisam homens e cavalos
é duro para todos.
2/2/11
Brissos Lino
Monday, January 24, 2011
Noli Me Tangere
Thursday, January 13, 2011
Sei
Sei que Deus sentado
apascenta os nossos sonhos
e nos toca no ouvido
quando o abismo se aproxima
do nosso chão
o pesadelo
e acordamos
Sei que Deus toca
nos nossos cabelos
põe a sua mão por baixo
e tira as nuvens do caminho
dos pássaros.
13/1/2011
apascenta os nossos sonhos
e nos toca no ouvido
quando o abismo se aproxima
do nosso chão
o pesadelo
e acordamos
Sei que Deus toca
nos nossos cabelos
põe a sua mão por baixo
e tira as nuvens do caminho
dos pássaros.
13/1/2011
Friday, January 07, 2011
Demagogias dos que nem demagogos sabem ser
«A chamada tarifa social sobre a electricidade, supostamente para dar algum apoio às famílias carenciadas foi a montanha que pariu um rato.
A DECO estima que o desconto andará entre 60 a 80 cêntimos por mês, já que incide não sobre o consumo mas sobre a potência contratada, pelo que considera que não se trata de nenhuma tarifa social. A Segurança Social começou esta semana a enviar o comprovativo para as famílias carenciadas pedirem a tarifa social de electricidade.»
Continuar a ler Aqui, oportuna intervenção cívica do dr. Brissos Lino, no jornal Setubalense.
A DECO estima que o desconto andará entre 60 a 80 cêntimos por mês, já que incide não sobre o consumo mas sobre a potência contratada, pelo que considera que não se trata de nenhuma tarifa social. A Segurança Social começou esta semana a enviar o comprovativo para as famílias carenciadas pedirem a tarifa social de electricidade.»
Continuar a ler Aqui, oportuna intervenção cívica do dr. Brissos Lino, no jornal Setubalense.
Saturday, January 01, 2011
O meu Salmo 121
Tenho tido os meus montese à sua volta anéis
de nuvens, circulando
com átomos tristes de água
os meus olhos procurariam
nada, um mergulho no escuro
mas um pé em falso
romperia a ténue película
que me sustém a vida
Nos meus montes peço socorro
de onde virá a mina de oiro
a fonte dos cristais
da pura água
mas um salto no escuro
e seria o fim
O meu socorro vem do Senhor
que fez de céu e de terra
esta distância
que trazem os meus olhos.
31/12/2010
Saturday, December 18, 2010
Subscribe to:
Posts (Atom)










