Tuesday, June 25, 2013

Um Salmo 122





 
(para o meu Amigo Alfredo Rosendo Machado - 1914-2013)
 
Basta-me ouvir o seu nome, a minha alma nutre-se
de beleza, quando chega o dia, o meu espírito
alimenta-se, basta-me ouvir o seu nome
o nome do templo do Senhor, os meus olhos
fogem-me e já vão lá longe, adiante
dos meus pés, com sandálias
de marfim.

24/6/2013
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Thursday, June 13, 2013

A CORDA (Conto)



Ainda tentou erguer os olhos acima da sua cabeça, mas a luz apagou-se. 
Debaixo do céu onde principiavam a pairar os corvos, que o homem já não poderia ver, porque cortara todos os laços com esse céu, o corpo não passava agora de um peso no laço da corda.
Um outro tipo de peso, denso como uma nuvem negra, tinha-se formado antes na sua consciência.
-Traí o sangue inocente - dissera ele. Ainda não pesava o ter cometido suicídio, uma proibição entre as 613 leis da Torah. Por isso, aquele suicídio seria embaraçoso, não deixava de ter uma ligação com os sacerdotes principais de Jerusalém, mais tarde até um evangelista iria levar o caso para o cristianismo.
O homem, mesmo antes do resultado final, ao saber que Jesus tinha sido condenado a morrer, resolveu o assunto.
-É verdade, é verdade, não posso alterar a história – disse com voz trémula, mas cava. E acrescentou - Se pudesse ia falar com Pilatos, dizer-lhe que o dinheiro não é tudo agora.
E foi ao fundo da memória lembrar-se da viúva que lançou a sua última moeda na caixa das esmolas do templo.
-Isso é contigo – tornaram os chefes judaicos.
-Digo-o, porque é verdade, era isso que gostaria de fazer. E atirou aos pés dos religiosos as moedas de prata.
-Ele, apesar do que lhe fiz, falou-me – ainda disse o homem, mais para si próprio do que para os dirigentes do tribunal.
-O que Ele te disse, não nos interessa agora- e fecharam-lhe a porta à conversa.
Nos seus ouvidos ressoavam como pedradas as palavras que ouvira, embora tivessem o peso do algodão que se aplica numa ferida: - Amigo, faz o que tens a fazer – dissera-lhe Ele após o beijo.
Depois desse momento, há quem garanta que o viu a chorar, mas não se pode confirmar esse acontecimento. As lágrimas são, por natureza, gotas de água suave que saem duma fonte trágica que se acorda e que ninguém sabe onde fica. As suas seriam no entanto chicotadas nas faces . O homem não podia parar de pensar nisso.
Nos últimos três anos de vida, enquanto acompanhara aquele a quem um dia chamou Mestre, o seu trabalho tinha sido tesoureiro e acumulador de decepções acerca da missão desse Mestre. Agora não seria nem tinha mais nada.
- O corpo, é a única coisa que tenho – disse para si, enquanto escolhia uma árvore adequada.
Tinha cerca de quarenta anos, evidenciava amargura, a barba crescida tornava-o escuro,
tinha um olhar aguçado nuns olhos que pareciam sempre escondidos entre duas fendas, as suas mãos eram belas, dedos compridos, quem procurasse o seu trabalho anterior não era pelas mãos que o descobriria. Era de Queriote e não havia lá a tradição da pesca, o mar estava morto.
Enforcou-se, a seguir. Teve medo de viver com a sua traição. O ter devolvido as trinta moedas não foi suficiente para tirar o vil metal da sua alma, nem os ruídos das moedas lançadas à lage de mármore se sobrepuseram aos remorsos. O coração parou, enfim, a excitação.
O local, com as suas figueiras, e o vento a espreitar por entre as folhas, era sossegado.
Pendurado debaixo da figueira cuja copa e as folhas impediam que a luz solar lhe deramasse pelo chão o desenho do seu corpo, o homem era uma sombra dentro da sombra.
O corpo já não lhe importava, seriam agora livres de se servirem dele, o que Judas I estava a enforcar era a sua alma. A pequena morte nas carótidas a apertar a maçã de Adão era o menos.

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Monday, June 03, 2013

RUTE



Cobre-me com o veludo do teu manto. A noite está fria.
Conduz-me debaixo do teu braço direito. Constroi ao meu redor a

muralha e redime-me, compra-me e guarda-me na tua cama de
linho e seda.
A tua mão me afaste o cabelo dos olhos para que veja a manhã que

se aproxima
Dá-me o teu nome para que saibam quem sou
Debaixo do teu manto e do teu braço. Redime-me na seda e linho do

meu vestido de noiva
e conduz-me á muralha da tua cama porque a noite está fria.
Desaperta-me a sandália e faz meus pés tocarem no veludo da

tenda onde me guardas.

Maio 2013
Clelia Mendes

Tuesday, May 21, 2013

Salmo bucólico nº 23



Conto as sombras das minhas ovelhas
estão todas, o meu rebanho
fez mover a brancura das colinas

não falta nenhum cordeiro, nenhum
desliga os balidos dos ouvidos maternos
e as ovelhas acendem seus olhos
contra os lobos
as flautas encobrem o silêncio
enquanto não chega a manhã, acendo o fogo
contra os lobos, a manhã vai apagar
a cinza das vigílias da noite.

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Sunday, May 19, 2013

PENTECOSTES





que esperássemos
na escadaria dos céus
por uma ave que nos abraçasse
de poder, em tua honra
fomos queimando incenso
de brilho tenso escorreito
ao teu olfacto
queimámos, e tu trasladaste
o teu brilho em línguas escorreitas
ao sonho e à visão


entretanto fomos traduzidos
no rumor de um vento
surdo como um terramoto
e as nossas cabeças feitas pequemos sóis
a esperança foi contada
em inúmeras línguas
as línguas em que os anjos
compõem sonhos e visões aos homens


19/05/13

Rui Miguel Duarte

Tuesday, May 07, 2013

A Delicadeza de Deus



Dos ramos do vento, caiu uma folha
bateu-me
nos cílios. De modo diferente

achei grande a delicadeza
de Deus.

2/5/2013
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Monday, May 06, 2013

THE TREE OF LIFE, Filme

 
 
 
 
Ensaio sobre a Árvore da Vida, do prof.doutor João de Mancelos, meu particular Amigo.
The Tree of Life, escrito e dirigido por Terence Malick, para o Festival de Cinema de Cannes, em 2011.

AQUI

 

Wednesday, May 01, 2013

PRIMEIRO DE MAIO

“este despedazado anfiteatro
de las nostalgias de una burguesía”
Jaime Gil de Biedma

 
Em nome de hoje, Primeiro
de Maio, com as ruas a derramar
as nuvens escuras do futuro, os olhos
dos que já ergueram bandeiras e hoje
têm fome, e assim mesmo

cantam
e aqueles que indicam na sua voz
o tempo inteiro
e justo que é preciso retomar
Em nome de hoje, Primeiro
de Maio, com pássaros também
a latir nos corações e o sol das noites
que aquecia os pobres
só por um instante, as palavras
devem pertencer ao dia
porém como o caudal dos rios
vencendo as margens.

1/5/2013
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Friday, April 19, 2013

A Pedra Inelutável




Uma pedra no meio da tempestade.
Não é uma pedra nos bolsos, dessas
que levaram Virginia
Woolf ao fundo do rio.
É uma pedra no meio da tempestade
um raio a ilumina, dá-me a visão
o fogo a incendiar a chuva.
Uma pedra insolúvel
na tempestade, as águas rugem
mas com suas mãos minerais a pedra
ergue-me e posso mesmo adormecer
tranquilo, alguém
além da tempestade, pôs a pedra
que é uma ordem no caos
no meu caminho.

19/4/2013

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Wednesday, April 10, 2013

Conto inédito: "Carta para o Evangelista Marcos"

Nicolas Poussin, (1594-1665), óleo s/tela


Conto inédito, in A Ovelha Perdida, Aqui

"Eu sou Bartimeu, o cego. À beira da estrada viam-me como um marco geodésico, um ponto de referência da proximidade de Jericó.
-Lá está ele – costumavam dizer, quando estavam perto da porta da cidade."

Friday, April 05, 2013

ECLESIASTES, I



Mas o sol também sobe a sua montanha
e desce
sobre o trabalho inútil dos homens
o vento perde-se a si próprio
derrama-se quando encontra uma folha
pelas nervuras, emudece
os rios vão passando a sua geração
diante de nós, a foz nunca envelhece
no mar
tudo cansa os olhos e os ouvidos
por vezes cansam-se de ouvir
Nada há de novo debaixo do solo.

10/2/2013
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Friday, March 22, 2013

UM LIVRO TRANSVERSAL


  

“ Manuel da Silva Moutinho – Um Padrão da Igreja Bíblica” é, estruturalmente, vários livros sob um mesmo padrão: salvar para a memória histórica, sobretudo, a obra escrita do pastor evangélico irmão Moutinho, como era tratado nas diversas comunidades evangélicas onde desenvolveu o seu ministério de meio século. É um livro de memó...rias, que se espalham por 442 páginas, desde o texto propriamente dito às referências. É um livro de vida, da vida lida e da vida pregada.

Esta obra generosa, porque oriunda da generosidade do autor José Manuel Martins, não encomendada por ninguém, nem pela família do falecido, nem pelas Convenções e Comissões Pastorais a que pertenceu, nem sequer pelas igrejas onde serviu, é uma obra generosamente autónoma que se reparte por vários aspectos e facetas do trabalho cinquentenário do pr. Manuel Moutinho.
 

Reparte-se pela biografia escrita a dois tons, um prefacial narrativo, sem laudatório mas deixando correr o factor tempo que se encarrega de estabelecer os valores do que uma vida plena como a do pastor foi executando, o factor tempo e o modo como a acção pastoral foi sendo apreciada por terceiros. Não é tanto uma biografia ( “Não temos nesta obra, a pretensão de escrever a biografia de Manuel da Silva Moutinho”, pág.50 ), é um discorrer do tempo, como uma crónica subliminar e sem a secura das datas. Só a passagem da vida.

Pormenores que compõem os valores de uma vida na história até da família e que passam a ser, simplesmente, documentos. 
 

( “O vizinho bêbado ( o pai do futuro pastor), que batia na mulher e nos filhos...agora ia com eles ao culto( pág.17) )   

O outro tom, também no registo biográfico, com observações interpretativas do autor, é o do desenvolvimento do contributo do legado doutrinário do pastor Moutinho, com o qual se inicia o capítulo I da obra.
 

Tal contributo inicia-se de um modo invulgar, porquanto o início do narrado pelo autor JMM dá-nos uma nota da humildade. “ O pastor Manuel da Silva Moutinho assumiu não pertencer ao grupo dos obreiros melhor preparados em teologia, homilético ou cultura universal “ (pág. 57)

É assim que os grandes homens se ultrapassam a si próprios.
Do ponto de vista da editora “Letras d'Ouro”, que prossegue natural e legitimamente recuperar o investimento, e do autor que deseja ser lido, este livro é, para além de tudo isso, uma obra de gratidão e de bondade.

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Saturday, March 16, 2013

FRANCISCO





Um homem da Argentina, que andava de autocarro
não disse nada a ninguém
chegou a Roma
e escolheu o nome Francisco, disse

depois “Boa noite”, quando começou
próximo de todos os olhos molhados
na Piazza di San Pietro
fez tirar as estrelas do manto, o branco
seria o melhor ouro.

14/3/2013
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Tuesday, March 12, 2013

O QUE RESTA






Um capote número 42 pequeno para a morte
que a guerra poupou, agora
semi fechado agasalha o silêncio

um capote que um corpo já não pesa
a manga como a corda que se lança
do convés para um braço triste
as mãos intocáveis do soldado só sonhadas
misturam-se com raízes em qualquer lugar
há um buraco ainda quente, vazio
num boné em que o filho há-de crescer.

11/3/2013


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Sunday, March 03, 2013

O CORRESPONDENTE: CONTO




Ainda apanhei os homens a tempo. A correria após saber que ia dar-se uma prisão importante, deixara-me sem fôlego. Não queria perder nada do que aquele grupo de gente suspeita iria fazer.
Eu não sabia os motivos e estava decidido a entender o que estava a conduzir aquela grande turba munida de espadas e cacetes, sobretudo os contornos daquela tensão que parecia roer os rostos. Eram os homens e o alegado preso que me interessavam mais.
Assisti um dia à prisão de Barrabás. Ser levada a cabo exclusivamente por judeus, chefes religiosos, levitas e guardiões do templo, populares e uma escassa companhia de legionários romanos, era uma particularidade desta nova detenção.
-Não quero perder instante algum, deste acto justicialista– disse para um homem que ia, também ofegante, ao meu lado. Empreguei, de propósito, este termo por uma convicção inusitada que me assaltara, ao ver no grupo homens armados e com vestes civis. E continuamos a caminhar, na noite, em passo acelerado.
A turbamulta precipitava-se para um ponto preciso. A direcção que tomava, já entre o arvoredo, era o Monte das Oliveiras. O jardim antigo que fica na base do Monte e onde esteve instalado um lagar de azeite.
-Quem estará a esta hora no jardim? – inquiri para o lado, mas ninguém me respondeu.
Tudo aquilo me parecia estranho. O vento, leve mas constante, fazia rodopiar os restos de folhas velhas pelo chão irregular.
-Dizem que era aquele que derrubava o templo – arguiu um homem com pressentida emoção na voz.
-Está quase sempre com discípulos – lembrou outra voz, uns passos à minha frente.
-Lá para o norte, em Cafarnaum, fez andar um paralítico – disse outro, num tom exaltado.
-No Jordão? Ah quando o filho do velho Zacarias chamava raça de víboras e baptizava, lembrei-me agora- perguntou e arguiu outro, enquanto se desviava de um ramo de oliveira a meia altura de um homem.
-Sim, foi baptizado nas nossas águas – responderam-lhe outros.
-Esse, o baptizador, clamava pela ira vindoura até ficar sem cabeça – ironizou alguém.
-Mas este, parece que tinha palavras e actos de caridade – esta voz compreensiva, de um homem de aspecto jovem que ia perto de mim, pareceu-me ter alguma bondade.
-É mais um profeta, é o que é – disse uma voz de alguém que se juntara a tempo. -Ou um rabi – concluiu o mesmo.
-Nunca o vi, mas parece que está connosco quem o conhece bem e nos fará qualquer sinal- disse um homem armado com uma espada para descansar aqueles que não faziam nenhuma ideia sobre quem iam prender. – Lá à frente vai alguém que o conhece bem, terá andado com ele – disse uma voz áspera e esta informação deu-me a ideia de que começava a perceber-se que havia gente informada no grupo.
Percebi que davam grande importância ao pormenor, como saberem quem era o alegado homem a prender. Talvez ninguém se tivesse dado conta, mas foram falando acerca do futuro de um homem que uns conheceriam e outros não conheciam de todo.
Estes diálogos nocturnos suscitavam-me um pensamento, falavam para afastar fantasmas ou inexplicáveis medos e, também, para que o vazio escuro se preenchesse com alguma coisa menos os temores ou as incertezas sobre o que iriam fazer.
Era uma grande turba com paus e lanças. A força estaria do seu lado. As árvores que iam subindo o Monte das Oliveiras escureciam o lugar tanto quanto a noite que caíra no jardim onde se encontrava o outro grupo.
Ao fundo, o Vale de Cedrom esperava a manhã para se abrir em beleza diante dos nossos olhos. Mas aquela espécie de brilho que se atravessava entre os dois bandos, vinha do ribeiro de Cedrom, antes do jardim, que àquela hora da noite espelhava um luar.
A tensão do nosso grupo repercutia-se, como um tropel, no chão, ao aproximar-se do sopé do Monte onde estava o jardim do Getsemani. Com a proximidade do momento, percebia-se que o nervosismo se adensara, a ajuizar pelas bocas que se foram fechando. Parecia que uma rajada de silêncio retirara as vontades de falar aos homens, que agora começavam a refrear os seus passos e a conter a voz. O silêncio tornou-se denso, quando cautelosamente se aproximavam do grupo que parecia já vir ao encontro. De lá, distinguiu-se uma voz calma, sem nenhum transtorno de pânico: “- Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima.”
As flores do jardim que as sombras tornavam metálicas, sem cor, eram como estrelas apagadas que se distinguiriam na noite, caso isso fosse possível, pelas silhuetas no universo.
Quase belo, o homem com aspecto ainda jovem, que não passaria muito dos trinta anos, com uma túnica suja no lugar dos joelhos, que se salientou tomando a dianteira do grupo que vinha ao nosso encontro, não apresentava nem temor nem espanto. Os seus companheiros moviam-se com o que parecia ser uma fatalidade desorganizada; mas ele não, ele vinha sereno, de braços caídos, mas sereno. Tomei nota de que ele conhecia o traidor.
Ele adiantou-se à sua gente como se o ficar no meio dela pudesse prejudicar a missão que deveria ter, foi o que mais tarde relatei. Aguardava este momento, pareceu-me disse-o para mim mesmo, desde sempre. E a palavra eternidade seria a mais adequada, aquela que eu aprendi a usar melhor.
-É aquele, que foi beijado – disse um rapaz que estava perto e sublinhou a descoberta com um abanar de cabeça. Depois disse qualquer coisa para o lado, que já não pude ouvir. O tumulto começou.

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Publicado inédito Aqui

Wednesday, February 27, 2013

"Farewell, a long farewell, to all my greatness! "

 
"Farewell! a long farewell, to all my greatness!"

A resignação de um Papa, que é eleito para a vida e para a morte, deve ser tarefa difícil, e que todos temos de perceber. Sobretudo quando também a Coragem e a Honestidade religiosa e intelectual determinam essa resignação.
Joseph Ratzinger é, além de grande pensador e teólogo, honesto. Ele sabe que a "Barca de S.Pedro" - como lhe chama - carece de homens quase nús para a faina da pesca, isto é despojados das riquezas materiais, de jogos de poder, de incongruências, de infecções morais, poderia acrescentar mais maldades.
Joseph Ratzinger, um papa que compreendeu tão bem o Jesus de Nazaré, não pode suportar o jugo da Cúria. Seria esta quem deveria resignar ou até a própria Igreja Católica, a das riquezas e a dos escândalos, bem entendido.
O Cardeal Wolsey, na peça Henry VIII, de Shakespeare, despediu-se assim: "Adeus, um longo adeus, para toda a minha grandeza!"

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Friday, February 22, 2013

VEIO O FILHO DO HOMEM




Abraçava os rotos e os sem
abrigo, que tinham apenas o corpo
os leprosos
e os sem luz, a quem limpava dos olhos
o lodo
Dos publicanos encarava a casa
como sua e aceitava
o perfume do bálsamo a voar nos seus cabelos
Escreveu no chão palavras que o silêncio
não consome, de quem ama o que criou
E deu a sua vida pelas ruínas do homem.

22/2/2013

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Friday, February 15, 2013

O raio e o meteoro



Um meteoro nos Urais (ex-União Soviética) e um raio na catedral de São Pedro ( no Vaticano), prova que o Céu não tem favoritos nem predestinados.


Monday, February 11, 2013

Resignação de Joseph Ratzinger, pelo próprio



« Queridísimos hermanos,
Os he convocado a este Consistorio, no sólo para las tres causas de canonización, sino también para comunicaros una decisión de gran importancia para la vida de la Iglesia. Después de haber examinado ante Dios reiteradamente mi conciencia, he llegado a la certeza de que, por la edad avanzada, ya no tengo fuerzas para ejercer adecuadamente el ministerio petrino. Soy muy consciente de que este ministerio, por su naturaleza espiritual, debe ser llevado a cabo no únicamente con obras y palabras, sino también y en no menor grado sufriendo y rezando. Sin embargo, en el mundo de hoy, sujeto a rápidas transformaciones y sacudido por cuestiones de gran relieve para la vida de la fe, para gobernar la barca de san Pedro y anunciar el Evangelio, es necesario también el vigor tanto del cuerpo como del espíritu, vigor que, en los últimos meses, ha disminuido en mí de tal forma que he de reconocer mi incapacidad para ejercer bien el ministerio que me fue encomendado. Por esto, siendo muy consciente de la seriedad de este acto, con plena libertad, declaro que renuncio al ministerio de Obispo de Roma, Sucesor de San Pedro, que me fue confiado por medio de los Cardenales el 19 de abril de 2005, de forma que, desde el 28 de febrero de 2013, a las 20.00 horas, la sede de Roma, la sede de San Pedro, quedará vacante y deberá ser convocado, por medio de quien tiene competencias, el cónclave para la elección del nuevo Sumo Pontífice.
Queridísimos hermanos, os doy las gracias de corazón por todo el amor y el trabajo con que habéis llevado junto a mí el peso de mi ministerio, y pido perdón por todos mis defectos. Ahora, confiamos la Iglesia al cuidado de su Sumo Pastor, Nuestro Señor Jesucristo, y suplicamos a María, su Santa Madre, que asista con su materna bondad a los Padres Cardenales al elegir el nuevo Sumo Pontífice. Por lo que a mi respecta, también en el futuro, quisiera servir de todo corazón a la Santa Iglesia de Dios con una vida dedicada a la plegaria.

Vaticano, 10 de febrero 2013

BENEDICTUS PP. XVI »

in imprensa espanhola ( el diario.es )

Friday, February 08, 2013

LUGAR SANTO



Doce o perfume tecido nas asas dos querubins,
Do candelabro a luz cai nos dedos daquele que adora
e a canção se solta como agua cristalina
derramada na bacia - Reflexo do rosto de Deus;
Entre os panos da tenda o sopro do deserto dança no incensário
Na mesa o cheiro do pão alinhado é promessa.
E eu como, e o sabor da farinha sem fermento
devolve-me palavras de um poema
escrito no principio do mundo .

Jan . 2013

Clélia Mendes