Friday, October 17, 2014

PRIMEIRA CARTA AOS CORÍNTIOS, 13


Juan-Martinez Bengoechea



Conheço as línguas dos homens. São físicas
descrições de sons e sentidos, desdobram-se
em cores para pintar o mundo.  São frias
se vêm do norte, do sul se vêm com fogo.
Com as suas línguas
de metal celeste, conheço os anjos.
Mas será como ter os ouvidos tapados
com silêncio, se não tiver amor.
Conheço a maneira de transportar os montes
e os mistérios que posso esconder
entre os meus lábios, e no espelho
que é a profecia,  posso ver o futuro. Nada será
se não tiver amor. E ainda que conheça a cor
do dinheiro e os pobres
que se alegram comigo, o que importa
se não exercitar na alma o gozo do amor.

17-10-2014

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Monday, September 08, 2014

A DÁDIVA DO MEU ESCULTOR



Dell'universo immemore.

Io vivo quasi in ciel.

(La Traviata, Verdi)



Um dia do azul espaço, um golpe profundo

Deus esculpe a Terra, redonda

pátria minha onde escrevo sinais

que invejam as estrelas

e contra a Morte,  que inveja o poder

do homem ter palavras e silêncios.


08-09-2014
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Saturday, August 23, 2014

A CANÇÃO DE MARIA



"Magnificat anima mea Dominum"


A dor do meu corpo a crescer
será útil para o Senhor


como o dia que se derrama
no fio do horizonte
na púrpura
de um dia novo


a dor de um filho dentro
a crescer pelo meu corpo.


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Thursday, July 03, 2014

AS PALAVRAS NÃO SE ATIRAM COMO PEDRAS, INÉDITO


(Imagem da Web)




“Porque lhes dei as palavras que tu me deste.” 
(Evangelho S. João 17:8)



As palavras não se atiram como pedras
entregam-se em bom estado
como pão ao faminto 
e água ao sedento. As palavras são embriões 
de vida longa
clarões que iluminam a treva 
dos silêncios.



2/7/14 
© José Brissos-Lino

Tuesday, July 01, 2014

O QUE DISSE ISAQUE A REBECA QUANDO SE ENCONTRARAM




Minha irmã que possas dar vida a milhares de descendentes
Diria Isaque
quando subiram os seus olhos acima dos camelos
           
Refrescou seu sonho na cristalina água
dos olhos frescos de Rebeca, ambos
se abriram ao oiro da tarde

E descansou Isaque
o coração no regaço de Rebeca, no rosto
 adolescente do Amor tocou com suavidade.

16-05-2014

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Tuesday, June 24, 2014

POEMA UM ANO DEPOIS DA PARTIDA DE UM AMIGO



para o teólogo Pastor Alfredo Rosendo Machado


Um Homem e a sua Bíblia, portador
de águas vivas,  um cântaro nas mãos
com a sua camisa branca
confunde-se já com o horizonte, longe
a sua voz  ainda está nos nossos ouvidos
Foi forte como um irmão maior
entre os irmãos,  partiu por causa da ciência
ainda não descoberta da morte
morreu com vontade do Céu.

24-06-2014

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Friday, June 20, 2014

A COROA


(Annibale Carracci, óleo s/tela, 1585)



Repouso a minha cabeça para a coroa
de espinhos, ostentarei
o silêncio da flor envergonhada
com flechas no lugar das pétalas

Poderia no fim da vida
ter uma coroa que me amaciasse
a cabeça, mesmo que o reino fosse pesado
uma coroa limpa

Mas não, eu não poderia suportar uma coroa
que esmagasse em mim o meu amor
escarlate pelo mundo
para ter um reino na terra, se assim fosse
teríeis outras razões para a minha morte. 

20-06-2014

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Thursday, June 05, 2014

O MURO DE LAMENTAÇÕES

(Foto da Web: mulheres junto ao Muro)



É o som dos sapatos que se ouve
para não acordar os mortos, o silêncio
envolve os murmúrios
Os carros passam longe, noutra civilização
Mãos e orações trocam papéis com as pedras
as pedras conseguem há milénios
guardar tudo
o que diz o povo com a cabeça rente ao muro.

05-06-2014

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Tuesday, May 20, 2014

BANCOS VAZIOS



Em cada fila de bancos vazios, houve cultos
vazios
há histórias do passado, grandes momentos do coração
raramente
os bancos desabitados
ouvem certezas inabaláveis, muitas
palavras ditas ainda a  tempo.
Escondem-se nas cinzas os lumes antigos.

Em cada espaço que um corpo ocupou
há o lugar da solidão,  Deus vê
as lágrimas que caíram um dia
os olhos de Deus, que amam demoradamente
tocam os lugares, mesmo sem ninguém
procuram o homem.

20-05-2014
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Sunday, May 04, 2014

EPODO AO SALMO 139


a J.T.Parreira, com amizade, solidariedade poética e votos de saúde


Alguém lá em cima gosta de mim
alguém lá em cima tem colo de ouro
e braços de estrelas
para os meus cansaços

posso estar no chão e os meus pés
pisarem os céus e os ínferos dos mortos
pode não sobrar de mim mais do que
a voz que grita a ocidente e a oriente
e Alguém aí está e gosta de mim

posso não ter mais do que algas podres
em vez de mãos um seixo túrgido
em vez de uma canção que se atira
contra os tremores de ventos e marés

que claro e imperceptível é
que, ao mostrar-se treva luz,
Alguém gosta de mim

Rui Miguel Duarte
03/05/14

Sunday, March 30, 2014

O ENCENADOR




No princípio ouviu o seu próprio silêncio.
Não havia terra nem estrelas onde pousar a sua luz.
A sala estava vazia, não havia Rosa dos Ventos
para espalhar o seu olhar, as suas mãos
de fazedor eram a voz

E disse “Haja luz”, e tudo
começou a ser jovem, as palavras, as aves e os rios,
a juventude das fontes trazia as águas novas,
a claridade dos sons,
das ervas e das árvores,
a ascensão das flores do chão.

Sentado no palco na sua eterna sarça
olhava a multiplicação do respirar dos homens.

Agora o tempo atravessava a noite
e o dia, que vinha do sol para aquecer os rostos.
E viu Deus tudo e disse que era bom.

30-03-2014

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Sunday, February 23, 2014

EPITÁFIO DE UM JUDEU EM TREBLINKA




Estou aqui e a cinza não morreu
é como o pó
que regressa às mãos divinas

Por que tive de ser um Judeu
dentro de um sobretudo preto e depois esquecer
 os salmos, presos pelo fio da fome ?

Vendi o meu violino numa rua no gueto
e  ninguém pôde prometer nada
ao outro, nem sequer Deus.

23-02-2014
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Tuesday, January 07, 2014

Uma Ética Pré-Cristã em Píndaro

Uma Ética Pré-Cristã em Píndaro


" Píndaro, o maior poeta lírico da Grécia no séc V a.C., representa o lirismo que impõe valores éticos na poesia a fim de serem seguidos em excelência pelos homens.
A sua lírica coral perorava poeticamente sobre o que o poeta considerava excelência dos vencedores dos jogos pan-helénicos, celebrava com odes triunfais não só quem vencia, mas os valores que se traduziam a partir das vitórias, que eram cantados e se espalhavam dos seus poemas para a música.
Na Grécia clássica celebrava-se a luta (àgonía / ἀγωνία ) individual, não havia jogos colectivos, nem vitórias em equipa, a honra ou desonra era individual,  mas os pensamentos do lirismo de Píndaro ajustavam-se, sobretudo, à humanidade, ao colectivo dos homens."


Para ler na íntegra aqui http://www.apologetica.pt/

Tuesday, December 31, 2013

O FILHO MORTO



Ninguém sabe como os olhos
Do Pai penosamente
Fugiam pela Casa
A esperar o Filho morto, esperar assim
Com o Amor em sangue
A tempestade no Céu, a voar no cântico dos anjos
Os prantos cheios das dores do Filho
E o Pai com mão imponderável
Aparta da cruz os seus olhos de silêncio
E da palidez do Filho
E espera que a Aurora se levante e traga o dia
O terceiro dia verdadeiro.

31-12-2013
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Saturday, December 07, 2013

ISRAEL


 
Israel não te esqueças de pedir a memória
Nas tuas lamentações sagradas
Israel não adormeças no museu
Das tuas pedras, Israel
Não esqueças o mundo
Israel quando é que enviarás
Todas as semanas corações
Para lerem o Apocalipse?
Israel tu conheces a lei
Dos artigos de Maimónides, tens o costume
De ler Moisés e ficar preocupado
Com todos os cordeiros do país
Israel tu repousas em citações
E costumas nutrir por Jeremias
A ternura das tuas lágrimas
Israel tu detestas Isaías
Por isso o encerras no vidro da universidade
Israel pensa naqueles que voaram
Como pombas e andaram apalpando
Pela noite as suas janelas
Que esconderam a vergonha dos seus olhos
Em pequenas ruas, ao comprarem leite
E sal para as suas feridas
Israel quando te tornarás um menino
Um bando de pombas a olhar o vento
Que descansa nas figueiras
Israel levanta em redor os teus olhos
Para o mundo ver que estão cheios de lágrimas
Como no ano 132, quando te tornaste sionista
E vestiste Bar-Cochba de messias
Israel acorda todos os sonhos dos lábios
Israel as sinagogas são tarde demais.

1/1986
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Wednesday, December 04, 2013

ESTE SALMO 23 DO SUL



Para a minha Mãe ( Sousel, 3/12/1922 -  )

Mesmo aqui na imensa fragrância da cor
amarelo-laranja

O Senhor é o meu pastor, rodeia-me
de  felizes papoilas e do odor

A estrume fresco, e só o assobio do vento
sobre as águas cálidas já me dessedenta

Transbordam-me dos olhos as distâncias
enche-me da sua presença

 O arco das minhas costas, levíssimo
com o seu olhar sobre mim

Não me persegue a surpresa da morte
durmo sob a minha sombra, num alto monte.

3/12/2013
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Sunday, December 01, 2013

O ÚLTIMO VERSO DO SALMO 23


“E habitarei na casa do Senhor por longos dias” , 23,6


Este verso, ao contrário do que pode parecer, não remete exclusivamente para a eternidade, ou o post mortem do crente, revela-se e amplifica-se no seu sentido maior, que cada momento da nossa vida será preenchido com  as mais ricas bençãos de Deus.
Os versos da poesia bíblica, designadamente nos Salmos, não têm que ter apenas uma leitura submetida a uma única contextualização e uma aplicação literal fechada, tão pouco uma leitura exclusivamente alegórica, neles existe história ( a história de Israel e a do homem como criatura de Deus) como existe teologia, louvor e adoração; por vezes até o Eu poético, num registo intimista, amargurado e arrependido diante do Senhor ( vd o 51).
Particularmente o último verso do Salmo do Pastor, podemos lê-lo de dois modos e dar-lhe a dimensão da eternidade a partir do tempo. Podemos ler o que está lá e o que não está, numa metalinguagem divina. De um modo ou de outro, lê-lo é também um exercício semântico que não dispensa a leitura contextual do verso anterior (vs 5).
O parágrafo que separa ambos os versos 5 e 6, como uma divisão apenas tipográfica que une duas frases num texto, completa todo o sentido de um lugar habitável em que o anfitrião prepara a mesa, proporciona abundância de bens metaforizada no “cálice que transborda”, dá hospitalidade e unge segundo as normas orientais. E nessa habitação não há lugar para os inimigos dos convidados.
Nestes dois versos temos a figura da casa, como habitação onde somos hóspedes de Deus, e sobretudo a narrativa poética da comunhão com Deus na graça e na bondade divinas todos os dias.  A partir deste ponto, podemos ler com uma perspectiva mais alargada, o derradeiro verso com que o salmo termina.
Dividindo assim o verso em elementos, do ponto de vista linguístico observamos o que a frase nos transmite.


“E habitarei” - é em si mesma, literalmente, uma expressão que fala de permanência. No grego da Septuaginta ( a Versão dos 70), no Salmo 23 encontramos o termo katoikein, que significa “lugar onde se vive” e contêm o substantivo “casa” ( oikos).


“na casa do Senhor” - A casa do Senhor poderia ser exclusivamente uma metáfora do Céu, mas parece-nos que o contexto não é isso que nos diz, razão pela qual alguns comentaristas tendem a estender o significado. Mas stricto sensu quer significar quase sempre, como sabemos, o Templo e não o Céu.
A verdade é que tanto no Velho como no Novo Testamento, no grego, quando os autores sagrados  falam do Céu ou Céus, fazem-no de um modo literal para falar de firmamento ou da habitação de Deus.
Os termos usados em dois salmos significativos são comuns e idênticos na tradução grega do Velho Testamento já citado. Salmos 8, 3 e 73,25.
Neles a palavra  “Ouranos”  é também metáfora perceptiva para falar do divino, da divindade do lugar. No grego da literatura clássica tinha também um significado merecedor de nota, era “aquilo que é apropriado para um deus”, isto é, um lugar divino.
Deste modo e seguindo a linguagem poética salmódica, o que o autor sagrado (David ou o autor desconhecido de um dos Cânticos dos Degraus, no Salmo 122 ) quer dizer qundo escreve “casa do Senhor”, é perceptível como sendo o lugar onde Deus está eclesialmente, o templo,  a casa de oração, o lugar onde os crentes se reunem para louvar, adorar e aprender as Escrituras Sagradas, onde estiverem “dois ou três reunidos em meu nome” – disse Jesus Cristo.
Com efeito, na linguagem grega esta figura perceptiva é clara: “oikõ kuriou”.


“para todo o sempre” ou “ao longo dos dias”
A versão da chamada Bíblia dos Capuchinhos exara deste modo o  final do salmo: “A minha morada será a casa do Senhor ao longo dos dias.”
No VT as alianças de Deus com o Seu povo referiam-se ao tempo, aos dias (Ecl 12,1), mas dado o carácter da lógica da aliança divina, que não tinha falhas nem fim, dirigiam-se também para a eternidade.
A expressão na Septuaginta é, deste ponto de vista, clara: makroteta émerõn; indica uma longa distância de dias, o que vai no sentido da conhecida frase coloquial “aquela pessoa teve uma longa vida”.             
A longevidade dos dias neste precioso quanto simples salmo, já chamado “canção da fé” e “de beleza tranquila”, alongam-se para a eternidade. No tempo, porém, vai colocando ao dispôr da ovelha ( metáfora perceptiva) um acervo de bençãos. “A maior das bençãos será uma comunhão íntima com Deus através da continua adoração” (1) na vida e na comunidade do crente.
No decurso de milénios, desde a data em que foi composto, este poema bíblico de várias metáforas extensivas, de fácil percepção, que começa com uma metáfora tomada da vida pastoril e bucólica,  tem dado serenidade e confiança ao crente com a presença divina, mesmo no vale da sombra da morte. Porque além desta está a eternidade.
Finalmente, o sentido prático do derradeiro verso do Salmo 23 foi bem interpretado no livro “Formosa Herança” do saudoso pastor e amigo Alfredo R. Machado: “ Estas palavras além de fazerem referência à eterna habitação de Deus, também se aplicam ao nosso desejo de regularmente estarmos presentes nos cultos da Casa de Oração, juntamente com todos os santos”. (2)

___________________________
(1)  Comentário Bíblico Moody, Vol 2, Josué a Cantares,  pág. 377, Pfeiffer e Harrison, IBR
(2)  Pág. 67, CPAD e CAPU, 2006

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Tuesday, November 12, 2013

JONAS


 Eu não sou ninguém. Deixem-me dormir!
(do poema Talvez me chame Jonas)
León Filipe
 






Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela
dizia Deus, enquanto em Jope os remadores exercitavam
os músculos para o remo
a longa viagem para Társis através dos altos
castelos do mar, deixem que os conquiste
através do sono, deixai-me dormir
homens do mar, deixai-me rasgar o asfalto
das águas nos meus sonhos, aqui
no recanto mais escuro do navio
Mas é no mar que se faz a tempestade
O meu corpo por um barco e sua carga
e os homens, com os olhos sem outra chave
senão o medo para abrir a alma
e foi tudo
até que o grande peixe me fechou
na sua caverna, nas raízes do mundo
Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela
disse de novo Deus, sentado à minha espera
abrindo os ferrolhos das trevas.

10/11/2013
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Saturday, November 02, 2013

O DISCURSO DE BABEL



Ninguém queria estar só, nem disperso
isto era apenas o começo.

Nenhum ouvido estranhava o que as bocas diziam

em todos os ouvidos
cabia uma língua apenas, todos sabiam de onde
vinham e como ficariam, jamais frágeis
sob o céu em peso.

Seria a sua torre uma estátua inalcansável
nenhuma água em tumulto
poderia subir ao topo da torre
nem afrouxar a firmeza dos seus pés
isto era só o começo, no céu as estrelas
seriam as suas janelas acesas.

31/10/2013
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Tuesday, October 15, 2013

INGENUIDADE

Quando chegamos à nossa nova casa
sem paredes de tijolo e estuque
rodeada de arame onde suspendemos as estrelas
apertando ao peito o frio
ainda acreditamos
que nos dessem o maná
como Jeová no deserto aos nossos pais.

14/10/2013
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